TOBIASSCHWARZ/REUTERS
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Cinema político de Jafar Panahi vence 65.º Festival de Berlim

Concorrentes fortes, como o italiano 'Vergine Giurata', foram esquecidos pelo júri

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 17h58

BERLIM-Foram escolhas decentes, senão totalmente defensáveis e, assim, o iraniano Jafar Panahi, de Taxi, foi o grande vitorioso da 65.ª Berlinale, somando ao prêmio da crítica, que recebeu na sexta-feira, 13, o do júri oficial, presidido pelo cineasta norte-americano Darren Aronofsky, na noite de sábado, 14. Havia concorrentes mais fortes, e pelo menos um deles - o italiano Vergine Giurata, de Laura Bispuri -, foi esquecido no loteamento dos prêmios.Mas Darren e seus jurados foram bem melhores que o norte-americano do ano passado, o produtor Jasmes Schazmus, que conseguiu escolher, entre quatro concorrentes chineses, o pior.

Aronofsky foi sucinto. Disse que as dificuldades paralisam muitos diretores, mas estimulam outros. Realizando filmes em circunstâncias adversas no Irã, Panahi fez do cinema uma afirmação da própria vida. Como o cineasta, confinado pelas república dos aiatolás, não estava presente para receber seu Urso, Dieter Kosslick, o diretor da Berlinale, desceu do palco e trouxe pela mão a garotinha que faz a sobrinha do motoristas do táxi, o próprio Panahi. Vai ser a imagem viral, que vai ficar dessa Berlinale - a garotinha chorando, com o Urso de Ouro na mão. É um belo filme, não o melhor, mas no táxi de Panahi pode-se dizer que trafega a próprias sociedade iraniana.


O júri, pressionado pelo que Aronofsky definiu como a alta qualidade da seleção, lançou mão de premiações duplas, ex-aequo. O Urso de Prata de direção foi dividido entre o romeno Radu Jude, de Aferim!, e a polonesa Malgorzata Szumowska, de Body. O prêmio de contribuição artística também foi dividido entre três excepcionais fotógrafos - o alemão Sturla Brandth Grovlen, pelo tour de force técnico, o plano único de Victoria, e os russos Evgenyi Priovin e Sergey Mikhalchuk, de Under the Electric Clouds. Tom Courtenay e Charlotte Ramnpling ganharam os prêmios de ator e atriz como o casal de 45 Anos, de Andrew Haigh.

O Prêmio Alfred Bauer, que recompensa um filme que abre novas perspectivas para a arte do cinema foi para o guatemalteco Ixcanul/Volcano, de Jayro Bustamante. E os prêmios de roteiro e especial do júri recompensaram dois chilenos. Patricio Guzmán ganhou o primeiro por El Botón de Náscar e Pablo Larraín o segundo, por El Club. O júri não cometeu desatinos. Agiu de forma decente, defensável. Dos três melhores filmes da competição, dois foram premiados, e foram filmes latinos - El Botón de Nácar e Ixcanul. Faltou o prêmio para o italiano Virgem Jurada. Dois em três não é um escore ruim, mas com o filme de Laura Bispuri teria sido (muito) melhor.

  

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