Cinema perde a atriz Teresa Wright

A eterna Rosa de Esperança, Teresa Wright, morreu no domingo, aos 86 anos, vítima de ataque do coração, no Hospital Yale-New Haven, em Connecticut, disse ontem a filha dela, Mary-Kelly Busch. Teresa recebeu o Oscar de atriz coadjuvante em 1942 pelo papel de Senhora Miniver no longa Rosa de Esperança, de William Wyler. A carreira de Teresa decolou depois do sucesso em Pérfida, no qual atuou ao lado de Betty Davis. O filme lhe garantiu indicação para o Oscar de coadjuvante em 1941. No ano seguinte, ela receberia duas indicações: atriz principal por Ídolo, Amante e Herói e coadjuvante por Rosa de Esperança. Também foi estrela de outros três grandes clássicos: A Sombra de Uma Dúvida, de Hitchcock, em 43; o primeiro filme de Marlon Brando, Espíritos Indômitos, em 50; o campeão de Oscar Os Melhores Anos de Nossas Vidas, em 46 e ainda Em Algum Lugar do Passado, de 80. Os mais jovens puderam conferir seu trabalho em O Homem Que Fazia Chover, seu último filme e também o último dirigido por Francis Ford Coppola lançado comercialmente. Nessa adaptação do romance de John Grisham, Teresa vive a nada convencional Miss Birdie. Em 1988, ela atuou ao lado de Liam Neeson e Diane Keaton em O Preço da Paixão. O rosto afável, seu modo tranqüilo de ser e sua veia dramática fizeram dela uma atriz popular nos anos 40 e no começo dos 50. Desde o início de sua carreira, Teresa despontou com uma independência que incomodou seu, digamos, chefe, o produtor hollywoodiano Sam Goldwyn, que a despediu em 1948, reclamando que ela era ´não cooperativa´ por ter se recusado a viajar para Nova York para a divulgação de um filme. A atriz não demonstrou arrependimento por ter perdido o contrato que lhe garantia US$ 5 mil por semana. Ela alegou estar mal de saúde e declarou: "O contrato entre atores e produtores é abstrato. Nós não temos privacidade, eles nos perseguem como a presas, mandam em nós como crianças." Teresa levou fama de excêntrica em Hollywood em uma época em que se exigia glamour das atrizes. Ela sempre era a boa filha e esposa dedicada, nunca como sedutora. "Não sou do tipo glamourosa", admitiu a atriz em 1950. "Glamour é algo com que se nasce, não se fabrica. E as pessoas verdadeiramente glamourosas podem ser assim mesmo sem usar roupas maravilhosas. Eu aposto que Lana Turner fica glamourosa usando qualquer roupa."

Agencia Estado,

09 de março de 2005 | 12h38

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