Cinema nacional importa "Fagundes" português

Os divulgadores do filme Brava Gente Brasileira, a partir desta sexta-feira nos cinemas, apresentam o ator Diogo Infante como o "Antônio Fagundes de Portugal". "Só que mais novo", ressalta o ator de 34 anos, que esteve em São Paulo para promover o título sobre a colonização do Brasil. Pouco conhecido do público nacional, a não ser por participações em especial da Globo e em novela da Bandeirantes, Infante é um dos atores portugueses mais requisitados pela TV, teatro e cinema de seu país - sobretudo quando o personagem requer pinta de galã. "Mesmo entendendo a necessidade do mercado de catalogar os atores, não gosto de rótulos", avisa Infante, que acaba de ser convidado pela Globo para fazer uma participação na novela Laços de Família. "Infelizmente não houve tempo hábil para acertarmos os detalhes", conta o ator, inicialmente escalado para viver o escritor português que entrará em contato com o livreiro Miguel (Tony Ramos) e acabará vivendo um romance com sua filha, a espevitada Ciça (Júlia Feldens). Infante já foi visto na Globo fazendo par romântico com Carolina Ferraz em um episódio de Terça Nobre exibido em 1996 - também estrelado por Eva Wilma. A emissora o escolheu para interpretar o guia turístico mulherengo que seduz a personagem de Carolina em Lisboa e acaba encrencado quando a moça não quer mais voltar ao Brasil. Em 1997, ele integrou o elenco da novela Perdidos de Amor, da Band, vivendo o amante da personagem de Estér Goes. Na definição do ator, um "tremendo cafajeste". Choque cultural "É impressionante trabalhar com os brasileiros, há uma energia contagiante", comenta Infante, que rodou Brava Gente Brasileira, de Lucia Murat, no Pantanal, entrando pela primeira vez em contato com índios. "Guardadas as proporções, senti o mesmo choque cultural do meu personagem, um cartógrafo português que desembarca no Brasil no século 18 para fazer um levantamento topográfico da região para a Coroa." Com barba e cabelos mais compridos, visual que o distancia da imagem de galã, Infante encarna o personagem que, ao se relacionar com a índia Ánote (Luciana Rigueira), sintetiza o conflito entre os dois mundos. "Os portugueses ficaram deslumbrados e, ao mesmo tempo, atormentados pelo Novo Mundo. Meu personagem é um sujeito romântico e idealista, já que acredita na integração entre as duas culturas." Infante destaca o profissionalismo de quem faz cinema e televisão no Brasil. "Como Portugal produz, no máximo, dez filmes por ano (contra 25 produções nacionais, em média), nós emprestamos mão-de-obra brasileira, como o diretor de fotografia Edgar Moura", comenta o ator, lembrando que na TV portuguesa o know-how do País é muito mais necessário. "A agilidade que ganhamos nos últimos anos é mérito do número cada vez maior de brasileiros que trabalham conosco. Demorávamos demais para produzir novelas. Levávamos um dia para gravar uma cena. Um absurdo." Ao retornar a Portugal, Infante inicia um tour com a peça Sexo, Drogas & Rock n´ Roll, um monólogo em que ele vive oito personagens. Em maio, o ator volta ao Brasil para rodar na Amazônia A Selva, com direção do português Leonel Vieira. Infante filmou com Vieira A Sombra dos Abutres, trabalho que lhe rendeu o kikito de melhor ator no Festival de Gramado de 1999. Seu personagem no novo filme, co-produção entre Brasil e Portugal, é um nobre do início do século 20 que se vê obrigado a trabalhar na floresta. "Desta vez, espero conseguir driblar os mosquitos", diz, lembrando das picadas que levou no set de Brava Gente Brasileira.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2001 | 10h42

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