Cinema nacional da última década será discutido em evento do CCBB

Evento acontecerá em São Paulo e no Rio Janeiro; serão exibidos 60 longas nacionais

Estadão.com.br,

11 Abril 2011 | 11h46

O cinema brasileiro será tema de debate e mostra em evento comemorativo aos dez anos da unidade de São Paulo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que acontece do dia 13 ao dia 1º de maio, na capital paulista, e do dia 26 ao dia 8 de maio, no Rio de Janeiro. A mostra Cinema Brasileiro: Anos 2000, 10 questões, organizado pela Revista Cinética e com curadoria de Eduardo Valente, Cleber Eduardo e João Luiz Vieira, vai exibir 60 títulos nacionais, em digital e 35mm, com o objetivo de elaborar um painel das principais linhas traçadas pelo cinema brasileiro entre 2001 e 2010.

Também serão realizados 10 debates em forma de seminários onde serão discutidas 10 questões propostas pela curadoria sobre o conjunto da produção cinematográfica brasileira da última década. Cada um terá com a presença de dois convidados escolhidos cuidadosamente a partir dos nomes que têm sido mais atuantes na crítica e teoria de cinema no Brasil, como Cássio Starling Carlos, José Geraldo Couto, Sheila Schwartzman e Esther Hamburger, em São Paulo, e Hernani Heffner, Pedro Butcher, Consuelo Lins e Cezar Migliorin, no Rio de Janeiro, buscando mesclar modos de aproximação, gerações e especialidades.

 

 

A primeira edição do projeto foi realizada em 2001 no CCBB do Rio de Janeiro. O evento Cinema Brasileiro: Anos 90, 9 Questões exibiu ao longo de 9 dias 54 longas brasileiros nas 2 salas do espaço e organizou uma série de debates, tomando por base 9 perguntas propostas pela curadoria a partir de um levantamento completo dos filmes produzidos no país ao longo da década. Além disso, foi publicado um catálogo que se tornou uma importante fonte de referência em informações sobre a produção deste período, trazendo a primeira lista compreensiva e completa dos filmes exibidos nos cinemas ao longo dos anos 90 (em festivais, comercialmente ou em exibições limitadas).

 

 

AS 10 QUESTÕES

QUE PAÍS É ESSE?

Uma característica que acompanha toda a história do cinema nacional é a dos filmes empenhados em traçar a imagem do país em dado momento, do passado ou do presente, em busca de sintomas, revelados por meio de indivíduos representativos ou grupos com sentido de panorama

PARA ONDE VÃO NOSSOS HERÓIS?

A década foi pródiga em fiçções e documentários centrados em personagens direta ou indiretamente conectados com a história brasileira, usando-os para refletir trajetórias e propor modelos de comportamento por meio de percursos (de superação ou de derrotas) com os quais se formam os "heróis brasileiros" do cinema atual.

O OUTRO: TEMER, TOLERAR OU CONHECER?

Reflexo talvez inevitável de um país com tantos contrastes internos, a produção brasileira do período nos trouxe uma enorme quantidade de filmes que expõem a relação entre opostos, seja pelas tentativas de aproximação, seja pelas tensões da convivência.

QUAIS IMAGENS DO BRASIL LÁ FORA?

Ainda bastante frágil no contexto interno da cultura brasileira, o cinema nacional muitas vezes vai buscar lá fora elementos legitimadores, principalmente por meio dos maiores festivais de cinema do mundo. Quais imagens do cinema brasileiro foram mais circuladas e definidoras de uma noção estrangeira do cinema produzido aqui?

QUE GÊNEROS SÃO NOSSOS?

Ao longo desses 10 anos, quais gêneros tipicamente nacionais nasceram e/ou se confirmaram como nossos principais sucessos de bilheteria? Por outro lado, quais tentativas confirmaram a pouca visibilidade de outros modelos clássicos do chamado cinema de gênero?

SUBJETIVIDADE: MODO OU MODA?

O eu nunca esteve tão inflado no cinema brasileiro, em geral flagrado e construído em uma zona de conflitos, gerados por uma tensão com o mundo próximo. Essas manifestações subjetivas estão presentes na última década tanto em ficções como documentários.

DESLOCAMENTOS: PARA ONDE E POR QUE?

A década se voltou com freqüência para personagens em trânsito ou em conflito com seus lugares de existência, às vezes por conta de uma inadequação aos padrões do entorno, às vezes por uma insatisfação aparentemente intrínseca aos mesmos.

AÇÃO ENTRE AMIGOS: OPÇÃO, AFIRMAÇÃO OU NECESSIDADE?

Através da explosão e barateamento permitidos principalmente pelas várias revoluções digitais que o cinema passou na última década se fortalece a tendência de destaque de uma produção de características bastante "caseiras", inclusive na maneira como os membros da equipe se relacionam entre si (um cinema da afetividade, de amigos).

OBRA EM PROCESSO OU PROCESSO COMO OBRA?

Dispositivo e processo foram duas palavras constantemente trazidas à tona nos debates da década, seja no documentário seja na ficção - muitas vezes gerando inclusive uma produção que desafia de maneira evidente as fronteiras entre estas categorias. Em várias dessas obras a exposição do próprio processo de realização toma a frente na estrutura dos filmes.

O QUE PULSA ALÉM DOS LONGAS?

Se a história do cinema de um país nunca é contada apenas pelos longas que ele produz, essa realidade se tornou hiperpresente nos anos 2000, uma vez que a produção em outros formatos se multiplicou exponencialmente. Curtas, médias, séries de TV, telefilmes foram espaços buscados por alguns autores para começar ou se manter filmando.

Cinema Brasileiro: Anos 2000, 10 questões

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo

13 de abril a 01 de maio

Rua Álvares Penteado, 112 - Centro (Próx. às estações Sé e São Bento do Metrô)

ENTRADA FRANCA - mediante retirada de senha com uma hora de antecedência

Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652  http://www.twitter.com/ccbb_sp

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