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Cinema lembra 25 anos da morte de Richard Burton

Ator protagonizou filmes como 'Cleópatra' e se casou com Elizabeth Taylor duas vezes

Efe,

05 de agosto de 2009 | 11h09

Richard Burton tinha tudo: beleza, talento, fama, a mulher mais linda do mundo, mas o protagonista de "Equus" e "Noite do Iguana" recheou sua vida de excessos, tormentos, bebidas e frustração que conformaram um mito cujo desaparecimento completa 25 anos nesta quarta-feira, 5.

 

Um derrame cerebral encerrou em 5 de agosto de 1984, na Suíça, a vida de Richard Jenkins, mais conhecido como Richard Burton, um ator visceral, em suas melhores criações na tela e no palco, e também na vida pessoal, convertido em carniça para os colunistas sociais.

 

Richard Burton lutou toda a sua vida com o desprezo até com sua própria vocação: "é bastante ridículo para uma pessoa de 45 anos ou 50 anos ter de se prender a palavras escritas por outras pessoas, a maioria delas más, com o objetivo de ganhar uns dólares", disse.

 

Mas nunca deixou de fazer o que melhor sabia: oferecer interpretações memoráveis em um bom punhado de grandes filmes, até o ponto de ser indicado sete vezes ao Oscar, um prêmio que nunca ganhou.

 

Nascido no País de Gales em 1925, pertencia á elite absoluta dos atores britânicos, dividindo honras com Peter O'Toole, Laurence Olivier e John Gielgud. Foi nomeado "o melhor 'Hamlet' de sua geração" e deslumbrou no teatro interpretando todo o repertório shakespeariano com seu impressionante controle vocal, mesmo para musicais como Camelot.

 

Como tantos atores de sua nacionalidade, o palco foi sua paixão e o cinema de Hollywood, para onde se mudou em 1952, o passaporte para a posteridade.

 

Desde suas destacáveis primeiras atuações na tela grande em filmes como "My Cousin Rachel" e "O Manto Sagrado", na década de 50, até sua interpretação crepuscular na adaptação da obra-prima de George Orwell 1984, Burton deu vida e gênio a personagens como Richard Wagner, Winston Churchill, Enrique VIII e Alexandre Magno.

 

"O pior é o que todo mundo quer que eu interprete um príncipe ou um rei... Sempre estou usando vestidos longos, saias ou algo estranho. Eu não quero isso, não gosto. Odeio ter que me maquiem, que me penteiem os cabelos cada manhã, odeio meias e botas, odeio tudo", protestava.

 

Outros filmes como "Equus", "O Espião Que Saiu do Frio", "Noite do Iguana", no qual interpretou um sacerdote muito vulnerável a paixões e ao álcool, como ele mesmo, demonstraram que seu talento ia muito além do cinema da época.

 

"Um ator é menos que um homem, mas uma atriz é mais que uma mulher". Sob essa perspectiva, é relativamente coerente que sua vida acabasse ofuscada, apesar de todo seu brilho, pelos dois casamentos com Elizabeth Taylor (em 1964 e em 1975).

 

Nos anos 60, enquanto o sistema de estúdios desmoronava, graças também à ruína causada pelo filme que os uniu - "Cleópatra" (1963), eles romperam também com a imagem cândida do estrelato: suas discussões e suas apaixonadas reconciliações marcaram o olimpo amoroso de Hollywood.

 

"Poderia fugir dela durante mil anos e continuaria sendo minha pequena. Nosso amor é tão furioso que nos desgastamos um ao outro", diria de sua relação com Elizabeth, com quem protagonizou títulos fundamentais para a carreira de ambos, como "Adeus às Ilusões" e especialmente "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?".

 

Paralelamente aos conflitos amorosos, Burton começou a beber mais e mais. Segundo seus biógrafos, antes de conhecer a atriz de olhos cor de violeta sua bebida favorita era a cerveja, depois, seria a vodka.

 

Sétimo filho de um mineiro, foi educado para desenvolver essa masculinidade tão mal entendida."Meu pai considerava que alguém que fosse à igreja e não bebesse álcool era intolerável. Eu cresci com essa crença", dizia Burton.

 

Com os anos, uns quilos a mais e muitos litros de álcool no sangue, chegaria a dizer a um jornalista: "Podes ser impiedoso comigo. Só estarás me fazendo justiça".

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