Cinema latino dá banho em Gramado

Com a honrosa exceção de De Passagem, o filme de Ricardo Elias exibido na segunda-feira à noite, o cinema latino tem dado um banho no brasileiro aqui no 31.º Festival de Gramado. Na quarta-feira, houve outra decepção do Brasil, mais exatamente do Rio Grande do Sul. Noite de São João, de Sérgio Silva, pode ser interessante no plano teórico, mas o filme que o talentoso diretor de Anahy de las Missiones adaptou de Senhorita Júlia, de Strindberg, tropeça na realização.Se o cinema começa mesmo e se dilata na epiderme dos atores, Silva errou ao importar do Rio, do elenco global, dois atores jovens (Fernanda Rodrigues e Marcelo Serrado) que passam ao largo das complexas implicações do texto, com seu conflito de classes travestido de embate sexual entre patroa e empregado. Noite de São João confirma tese do crítico Rubens Ewald Filho: os diretores deveriam pular o segundo filme e passar logo para o terceiro, principalmente se acertaram no primeiro. O segundo, Rubinho vale-se de numerosos exemplos em diferentes cinematografias, é quase sempre ruim.Os melhores longas de ficção exibidos até agora em Gramado 2003 são os latinos 2.ª Feira ao Sol (grafado deste jeito no cartaz), do espanhol Fernando León Aranoa, e Lugares Comunes, do argentino Adolfo Aristarain. Ambos têm distribuição garantida no Brasil, o primeiro pela Pandora e o segundo pela Europa, mas para apreciar devidamente o belo trabalho de Aristarain o público terá de livrar-se de um preconceito: os filmes sobre velhos não costumam ir bem de bilheteria e isso vale até para um monumento do cinema, o clássico neo-realista Umberto D, de Vittorio De Sica. O melhor documentário é O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, com seu exercício de alteridade único do cinema brasileiro. O cineasta despiu-se de toda arrogância e colocou sua câmera nas mãos dos próprios detentos do Carandiru para que eles fizessem seus (auto)retratos impactantes.O repórter viajou a convite da organização do festival

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