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Cinema latino-americano oferece 10 filmes candidatos ao Oscar 2011

Dos aspirantes ao Oscar 2011, apenas dois filmes são dirigidos por mulheres

EFE

06 de outubro de 2010 | 14h07

Dez filmes latino-americanos estão na disputa para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2011, com temáticas tão variadas como a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma história de amor homossexual em uma vila de pescadores peruana e as vicissitudes de uma jovem nicaraguense que decide se tornar boxeadora.

Todos eles fazem parte dos quase 100 filmes que se inscreveram para concorrer na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira na 83ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que será realizada no dia 27 de fevereiro de 2011, em Los Angeles.

Lula, O Filho Do Brasil, de Fábio Barreto, levará a Hollywood a história do presidente desde os primeiros momentos de vida, em 1945, na cidade pernambucana de Garanhuns, até os anos de militância no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no final dos anos 1970.

"O filme mostra um lado do Brasil, reflete um pouco a nossa vida. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida", declarou o presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias.

Também concorrem entre os latino-americanos: Carancho (Argentina), de Pablo Trapero; El Vuelco Del Cangrejo (Colombia), de Oscar Ruiz Navia; Del Amor Y Otros Demonios (Costa Rica), de Hilda Hidalgo; e La Vida De Los Peces (Chile), de Matías Bize.

Os demais competidores são: Biutiful (México), de Alejandro González Iñárritu, La Yuma (Nicarágua), de Florence Jaugey, Contracorriente (Peru), de Javier Fuentes-León; La Vida Útil (Uruguai), de Federico Veiroj; e Hermano (Venezuela), de Marcel Rasquin.

Do total de filmes apresentados à categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, além dos latino-americanos, a Academia elegerá nove em uma primeira triagem e depois selecionará os cinco candidatos definitivos.

Não será fácil igualar o resultado da edição anterior do Oscar, quando dois fortes latino-americanos concorreram ao prêmio - o vitorioso O Segredo De Seus Olhos, argentino, de Juan José Campanella, e o peruano A Teta Assustada, de Claudia Llosa.

Ricardo Darín, protagonista de O Segredo De Seus Olhos, dessa vez é a estrela de Carancho, exibido neste domingo à noite no Festival do Rio. Ao lado de Martina Gusman, Darín interpreta a indústria que se desenvolveu na Argentina a partir dos acidentes de trânsito, envolvendo um romance entre os dois, um advogado e uma médica.

O espanhol Javier Bardem, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Cohen, protagoniza agora o mexicano Biutiful, trabalho pelo qual obteve o prêmio de Melhor Interpretação Masculina no último Festival de Cannes, partilhado com o italiano Elio Germano.

O filme do reconhecido Alejandro González Iñarritu conta a história de Uxbal, um homem que ouve os mortos, tem dois filhos e uma complicada e intermitente relação com a esposa, que tem transtorno bipolar. Uxbal sobrevive em meio à ilegalidade, convivendo com imigrantes chineses em uma fábrica e com africanos que vendem mercadorias pelas ruas de Barcelona.

Dos dez filmes latino-americanos aspirantes ao Oscar 2011, dois são dirigidos por mulheres. A costa-riquenha Hilda Hidalgo adaptou um romance do colombiano Gabriel García Márquez, Do Amor e Outros Demônios, um trabalho que define como uma "travessura" sobre uma "história de amor clássica" contada "em imagens" e a partir dos olhos de uma menina de 13 anos, personagem encarnada pela colombiana Eliza Triana Amaya.

La Yuma, o primeiro filme feito na Nicarágua em 20 anos, premiado em vários festivais, é dirigido pela francesa Florence Jaugey, quem tratou de dar a conhecer "as duas caras da Nicarágua", representadas por uma jovem de um bairro marginal que faz- se boxeadora e um estudante de jornalismo de classe média.

Entre os demais filmes, o peruano Contracorriente fala sobre a história de amor entre dois homens em uma vila de pescadores do Peru, interpretados pelo ator boliviano Chistian Mercado e o colombiano Manolo Cardona. A obra foi reconhecida pelo público nos festivais de Sundance, San Sebastián, Miami e Cartagena das Índias, entre outros.

O representante uruguaio, La Vida Útil, de Federico Veiroj, é filmado em preto e branco. Ele narra a história de um homem de 45 anos que vive com seus pais e trabalha em uma cinemateca há 25 anos e que se vê obrigado a mudar de vida por causa da crise econômica mundial.

No chileno La Vida De Los Peces, exibido no Festival de Veneza, Andrés (Santiago Cabrera), que vive há dez anos na Alemanha, viaja ao Chile para resolver assuntos pendentes e lá reencontra com seu passado, inclusive um grande amor.

Hermano, a obra-prima do cineasta venezuelano Marcel Rasquin, que ganhou o Festival Internacional de Cinema de Moscou e obteve o Prêmio do Público no recente Festival Latino Internacional de Los Angeles, narra a história de dois irmãos que sonham em se tornar jogadores de futebol profissionais.

Por fim, El Vuelco Del Cangrejo, também premiado em vários festivais, como o do Berlim, representa a Colômbia na corrida pela indicação ao Oscar. No filme, Oscar Ruiz Navia expõe a história de um homem, em plena estagnação vital e existencial, incapaz de reorientar seu rumo, num pequeno povoado do Caribe.

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