Cinema exibe comédias do Brasil e da Albânia

A idéia de VIVA VOZ surgiu por acaso - ao ouvir sem querer a conversa de um amigo, que não percebeu estar com o celular ligado, o cineasta Paulo Morelli percebeu ali a possibilidade de uma comédia de equívocos. O ponto central era justamente a escuta involuntária; assim, das rabiscadas iniciais surgiu a história de Viva Voz: um empresário desonesto mas boa-praça (Dan Stulbach, o Marcos da novela Global Mulheres Apaixonadas) está prestes a dar um golpe milionário e, quando decide encerrar o caso com uma amante (Graziella Moretto), a conversa é ouvida pela mulher (Viviane Pasmanter). O filme estréia hoje em 79 salas do País. "Não tive a pretensão de fazer um filme autoral, mas a intenção de provocar risos", comenta Morelli, sócio, ao lado de Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro, da produtora paulistana O2, a mesma de Cidade de Deus. A declaração dá a dica dos rumos pretendidos pelos sócios - experiências cinematográficas que atraiam bom público, como o caso do filme dirigido por Meirelles que, só no Brasil, atraiu mais de 3,2 milhões de espectadores. Viva Voz teve uma detalhada produção. A começar pela escolha do elenco. Como era um projeto que obrigatoriamente precisava ser barato (substituía outro, mais caro e impossível de realizar naquele momento), Morelli fez cerca de 15 leituras do texto, testando mais de 130 atores e filmou em 2001 quando Dan Stulbach e Graziella Moretto, ainda desconhecidos, não eram alvo dos caçadores de autógrafos. (Ubiratan Brasil)SLOGANS - Essa comédia de Gjergj Xhuvani, não deixa de ter seu encanto, apesar do tema surrado. Se você estranhou o nome do diretor, não se preocupe - o filme é albanês, produzido pelos franceses. Aliás, consta que tenha sido o primeiro filme da Albânia a participar de um Festival de Cannes, isso em 2001, numa de suas mostras paralelas. A comédia é ambientada numa aldeia albanesa, durante os anos 70, quer dizer no reinado do camarada Enver Hoxha, que durou até sua morte, em 1985. Hoxha foi um fundamentalista. Rompeu com antigos aliados, como Iugoslávia, sempre que achou que eles se desviavam do reto caminho socialista. No começo dos anos 60, cortou relações com a União Soviética e aliou-se aos chineses. Mas quando estes começaram a conversar com os Estados Unidos, amuou-se, afastou-se e isolou-se de vez. Mas no início dos anos 70 ainda os soviéticos são os "revisionistas" e os chineses, os revolucionários de boa cepa. Confundir uns com outros pode custar caro. E isso acontece com um dos garotos da aldeia, que troca as bolas durante uma argüição escolar. Este, e outros incidentes, visam a ridicularizar aquele regime fechado, dogmático, cheio de regras e totalitário que vigorava no país comunista. O título vem do fato de que, na aldeia, os slogans revolucionários eram escolhidos pelos chefes do Partido e tinham de ser inscritos, com pedras brancas, nas montanhas. Assim, quando chega à cidadezinha um professor de biologia, André (Artur Gorishti), ele deverá escolher entre "Glória ao espírito revolucionário" ou "O imperialismo ianque é um tigre de papel". Opta pelo primeiro, mas verá que a escolha não se dá sem conseqüências. O clima geral é esse, a filmagem é bem realizado, mas a intenção clara é expor os absurdos a que chega uma sociedade fechada. (Luiz Zanin Oricchio)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.