Cinema e jazz em mostra no Rio

A relação íntima entre o jazz e o cinema será o tema da mostra Todos os Sons do Jazz, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. A partir desta terça-feira, serão exibidos 21 filmes, de várias épocas, onde a presença do jazz é marcante como trilha ou como mote central. Entre os filmes estão clássicos como Blow-up, de Antonioni; raridades como Dingo, com Miles Davis em sua única participação como ator, além de documentários. Para completar, serão apresentados clipes dos maiores jazzistas de todos os tempos, como Duke Ellington, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Stan Getz, Ella Fitzgerald e muitos outros. Na abertura da mostra, os especialistas João Máximo e Nelson Tolipan falarão sobre as várias nuances do jazz no cinema, as trilhas sonoras e filmes inspirados em músicos.A ligação do jazz com o cinema é mais estreita do que se imagina. As duas artes nascem e evoluem juntas durante a década de 20. Na chegada do cinema sonoro, o filme O cantor de jazz, de 1927, sucesso de bilheteria, aproxima o estilo musical ao cinema. Nesta época, a irreverência do jazz já tomava conta da sociedade americana. O som antes restrito aos clubes noturnos e aos mafiosos ganha o imaginário popular com seu clima sensual à base de bebida proibida (na época da "Lei Seca") e transgressão das regras estabelecidas. Somado a isso, a visualidade do Jazz, as performances dos instrumentistas, fazia com que o som ganhasse forma: "Diz-se que o jazz é música visual, que se toca com o corpo todo e que não se deve apenas ouvir um músico, mas vê-lo", comenta a coordenadora do projeto, a jornalista Maria Amélia Mello. Assim que Hollywood percebeu esse novo filão, entre 1917 e 1929, foram lançados 30 filmes com títulos onde havia a palavra jazz. A parceria foi definitivamente concretizada em 1929, com St Louis Blues, com Bessie Smith em sua única aparição nas telas e Black and Tan, baseado em Duke Ellington e sua orquestra.O jornalista João Máximo está concluindo seu livro sobre os cem primeiros anos da música dos filmes, onde ele teoriza sobre essa relação. No evento ele falará do jazz como música incidental, a que acompanha a ação do filme "à qual cinéfilos e jazzófilos talvez não sejam tão atentos", ele diz. Em Ascensor para o Cadafalso (1957) de Louis Malle, por exemplo, o clima ora angustiante, ora eletrizante é dado pela música espontânea de Miles Davis. Mas nem todo improviso é jazz. O produtor do programa Momento do Jazz, na Rádio Mec, Nelson Tolipan, apresentará durante o evento algumas caracterizações desse estilo. "O jazz tem uma linguagem própria, que não é mero improviso, mas que se baseia nele. E o cinema capta e preserva o momento único de criação do instrumentista. Uma frase musical maravilhosa que ele nunca mais fará igual.", explica Tolipan.As imagens do jazz estarão sendo exibidas nas obras de cineastas como Michelangelo Antonioni (Blow-up), John Cassavetes (Too Late Blues e Shadows) , Woody Allen (A Era do Rádio) e Robert Altman (Kansas City). Destaques para os clássicos, Alta Sociedade, de Charles Walters , de 1954 - com atuações de Frank Sinatra, Grace Kelly, Bing Crosby e Louis Armstrong (cantando juntos Now You Has Jazz) e canções de Cole Porter - e Cabin in the Sky, de Vicente Minelli, 1943, com Ethel Waters, Louis Armostrong e Duke Ellington e sua orquestra. Luciane ChameTodos os Sons do Jazz - De terça a 13 de setembro. Palestra de Nelson Tolipan e João Máximo, terça às 18h30, no Centro Cultural Banco do Brasil, Centro do Rio

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