Cinema e cinéfilos cedem ao DVD

O DVD está mudando o cinema e a maneira como o público relaciona-se com ele. Desde que chegou ao mercado em 1997, o formato que tem tomado o lugar do VHS influenciou o esquema em que os filmes são feitos e transformou espectadores em cinéfilos. Uma produção já começa a ser rodada com todos os extras previstos para a edição em DVD. O objetivo é alimentar um mercado milionário. Apenas nos Estados Unidos, são vendidos 100 mil aparelhos de DVD por semana. Até o final deste ano, 25 milhões de lares americanos um em cada quatro - vão ter um aparelho.O apelo dos DVDs está nos extras oferecidos ao consumidor: de cenas que não entraram na produção que chegou às telas a imagens de bastidores, entrevistas, comentários, documentários, roteiros, trailers, comerciais de TV e links para páginas da Internet. Em breve, novos lançamentos terão até videogames.Já começou até a faltar memória para comportar tantas extravagâncias. O DVD de Náufrago, que chega às lojas americanas nas próximas semanas, tem quatro horas de programação extra, distribuída em dois discos. Entre as atrações, está até o mini-documentário Wilson: The Life & Death of a Hollywood Extra, sobre a bola da vôlei que vira o melhor amigo do náufrago interpretado por Tom Hanks.Pearl Harbor acaba de chegar às telas dos Estados Unidos, mas seu DVD que deve ser lançado apenas no final deste ano - já está em plena fase de produção. O diretor Michael Bay tem supervisionado pessoalmente o produto. Ele pretende colocar extras como o processo de escolha das locações e entrevistas com historiadores e sobreviventes do ataque japonês à base militar americana no Havaí durante a 2ª Guerra Mundial. O drama Thirteen Days, sobre a crise dos mísseis de Cuba em 1962, também ganhou perspectiva histórica em seu lançamento em DVD. Uma boa parte da pesquisa feita antes das filmagens foi parar no produto que chega às lojas americanas em julho. Entre os extras, estão discursos do presidente John F. Kennedy sobre o incidente, um dos mais sérios da Guerra Fria. O DVD foi produzido pelo diretor Roger Donaldson.DVDs têm permitido que os diretores mostrem ao público o que queriam ter colocado nos cinemas. Os estúdios fazem pressão para ter controle sobre as produções que vão para as telas, mas são flexíveis em relação ao que pode ir nos DVDs. Filmes têm ganhado partes inteiras que ficaram no chão da sala de edição - ou têm recebido reedições completas. O "director´s cut", a verdadeira "criação" do diretor, vira sinônimo de DVD com cada vez mais freqüência.Por conta de tantas atrações, o DVD conseguiu mudar até o público consumidor. Gente que apenas assistia a filmes no cinema - e nunca teve uma fita de VHS em casa - virou cinéfilo e colecionador. Não basta alugar filmes em uma locadora de vídeo, é preciso também ter em casa aquelas produções preferidas. A explicação está na característica perene do DVD em relação ao vídeo.

Agencia Estado,

29 de maio de 2001 | 12h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.