Cinema de Cacá Diegues ganha ciclo no CCBB

Cacá Diegues anda feliz. Trabalha no projeto de novo filme, O Maior Amor do Mundo, em parceria com novo sócio - o publicitário João Daniel Tykhomirof, da Jodaf, uma das maiores e mais premiadas agências de São Paulo e do Brasil. Respaldado pelo sucesso de Deus É Brasileiro, que fez 1,8 milhão de espectadores, Cacá vai trabalhar de novo com a Columbia, por meio do famoso artigo 3.º, que permite às majors investirem parte de seus lucros na produção nacional. Por falar em Deus É Brasileiro, o filme concorre no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, em pleno desenvolvimento, por estes dias. Outro filme de Cacá, A Grande Cidade, seu segundo longa, integra a mostra especial com que o Festival de Paris homenageia o Rio. Cacá vai a Cannes, na próxima semana, para participar, com Bye Bye Brasil, da homenagem que o maior festival de cinema do mundo presta ao Cinema Novo.Começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio a maior retrospectiva dos filmes de Cacá Diegues já realizada no País. O evento, que vai até o dia 16, exibirá cópias restauradas de alguns dos filmes mais importantes do diretor. Embora admita que não goste muito de ficar revendo seus filmes - passa nervoso quando vê as coisas que gostaria de mudar -, Cacá está adorando pôr a cara para bater. "Maurício Cardoso e Newton Canito, curadores da mostra, fizeram um trabalho maravilhoso e conseguiram descobrir filmes que nem eu sabia onde estavam." Entre as preciosidades que o público vai ver estão o primeiro curta do diretor, Fuga, um documentário em vídeo sobre a Amazônia e outro sobre democracia, além de um especial de uma hora que ele fez para a TV francesa (Séjour). A história deste último é curiosa: "Estava exilado na França, durante a ditadura, e eles me convidaram para fazer o especial sobre as impressões de um diretor brasileiro viajando pelo país. Escolhi falar de emigrantes portugueses que viviam segregados e o especial foi censurado. Saí do Brasil para fugir da censura e fui experimentar a censura na França. Mas eles me deram uma cópia com a versão integral, sem cortes, e é esta que vai passar no CCBB." Haverá três debates. Na quinta, José Wilker, João Ubaldo Ribeiro, Antônio Pitanga e Vicente Rodrigues participam do painel Fazer os Filmes de Cacá Diegues, explicando o método e contando como relacionaram com o diretor. No dia 11, haverá um encontro com o próprio Cacá e, no dia 13, o amigo, jornalista e cineasta Arnaldo Jabor - companheiro de geração no Cinema Novo -, o antropólogo Roberto DaMatta e a historiadora Silvia Oroz discutem a obra do diretor no painel Ver os Filmes de Cacá Diegues. Ele não vai aos encontros para não deixar ninguém constrangido.A obra de Cacá é uma das mais variadas do cinema brasileiro. Inclui desde grandes sucessos de público, como Xica da Silva e Bye Bye Brasil, até filmes de um perfil mais difícil, como Quando o Carnaval Chegar e Joanna Francesa. Joanna Francesa é um de seus filmes preferidos. Ele também gosta muito de Chuvas de Verão, que talvez seja a maior unanimidade de crítica de sua carreira. Seu próximo filme, O Maior Amor do Mundo, aprofunda um personagem secundário de Deus É Brasileiro, o homem que se revolta porque sabe que vai morrer. Não será um filme sobre a morte nem revelará qualquer tipo de angústia do diretor que está com 64 anos. "Vou viver muito, ainda", garante. Cacá está cheio de projetos com João Daniel Tykhomirof. Ambos vão produzir, o longa de estréia de Jeferson De, diretor do premiado curta Carolina - A TV do Ano, e a adaptação que Vicente Amorim, de O Caminho das Nuvens, vai fazer do livro Corações Sujos, de Fernando Moraes. "Já compramos os direitos, mas o Fernando não quer saber de envolvimento no roteiro", explica Cacá, que faz uma última e nada surpreendente revelação. Ele amou Diários de Motocicleta, de Walter Salles, que achou um dos grandes filmes que viu nos últimos anos, independentemente de origem. Diz que Diários, que estréia na sexta, é um filme inteligente, maduro e sensível. Confessa que chorou. Cacá ama o cinema. Se tivesse de escolher entre fazer e ver filmes, ele ficaria com a segunda opção. "Não saberia viver sem cinema", diz ele, que vê pelo menos um filme por dia, todos os dias.

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