Cinema de arte é sucesso em Piracicaba

Inaugurado em março de 1998, o Cine Humberto Mauro vem se firmando em Piracicaba como uma excelente opção cultural. O cinema exibe uma programação, renovada a cada semana, composta principalmente por filmes brasileiros (70%), ou produções européias de reconhecida qualidade. "Começamos com uma programação quase marginal, mas a propaganda boca-a-boca fez com que a procura aumentasse e hoje já rivalizamos em público com os cinemas do shopping", conta Gílson Sabadin, coordenador do projeto.A partir de 1999 o Jornal de Piracicaba descobriu o cinema e passou a dar-lhe amplo apoio, divulgando a programação e fazendo matérias especiais sobre as mostras. "Desde então, passamos a ter grande procura de público", conta Gílson. O Auditório Grená, do Campus Taquaral da Unimep, onde o cinema funciona, passou a ser pequeno para tantos espectadores. "Precisamos de um patrocínio para manter o projeto, já que as exibições são gratuitas", explica Gílson. E o dinheiro necessário nem é tão absurdo. Segundo o coordenador, bastam R$ 10 mil para manter o cinema em atividade até o fim do ano.O auditório é moderno e a sala conta com recursos como projetores de 35mm, 16mm e 8mm. Dentre os filmes que fizeram grande sucesso entre o público de Piracicaba, destacam-se Central do Brasil, O Primeiro Dia, Dois Córregos, Ação Entre Amigos e Terra Estrangeira, entre outros, além dos longas exibidos nas mostras de cinema alemão, francês contemporâneo e no festival de cinema cubano.Interesse - A crescente procura pela sala do cine Humberto Mauro revela um crescente interesse do público pelo cinema brasileiro, o que se percebe desde o sucesso de Carlota Joaquina, da explosão de Central do Brasil e da recente receptividade obtida por Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington e de O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, ambos em cartaz nos cinemas paulistanos. Em julho do ano passado, o Intercine, programa da Rede Globo que permite ao público escolher qual filme deseja assistir, colocou O Guarani, de Norma Benguel em votação e ele foi escolhido pela audiência.No Rio Grande do Sul, por exemplo, a RBS, afiliada à Rede Globo, deixou de exibir o Caldeirão do Huck nas tardes de sábado e resolveu ousar. Colocou no lugar um programa chamado Curtas Gaúchos, exibindo curtas-metragens feitos por diretores locais. A audiência aumentou e as cotas de patrocínio foram vendidas rapidamente. "O cinema brasileiro tem um público cada vez maior; é preciso arriscar mais", afirma Gilberto Perin, diretor de programas especiais da RBS.Piracicaba é uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes, que conta hoje com apenas duas salas de exibição, localizadas no shopping center - além das sessões do Cine Humberto Mauro, que, depois de descobertas pelo grande público, por vezes apresentaram freqüência superior às verificadas nas salas do shopping. "O público de Piracicaba e região acabava tendo que ir para São Paulo, quando quer assistir um filme brasileiro", conta Gílson.Outro detalhe que chama a atenção no sucesso do Cine Humberto Mauro é que embora ele dê prioridade aos filmes nacionais, também exibe produções de qualquer outra parte do mundo, desde que tenham qualidade, adotando um perfil semelhante ao do Espaço Unibanco.Custos - As sessões sempre foram gratuitas e os responsáveis vinham obtendo patrocínios locais. "O problema é que, com o crescimento do projeto, o custo aumentou e o interesse da população também, o que nos obriga a procurar um patrocínio mais estável, que nos dê tranqüilidade para fazer um planejamento a longo prazo", explica Gílson.O cinema faz mostras temáticas e promove sessões gratuitas para escolas de 1.º e 2.º graus, bastando marcar a exibição com antecedência.As empresas que quiserem patrocinar o Cine Humberto Mauro poderão entrar em contato com os administradores do empreendimento pelo telefone (0--19) 430-1707. Os interessados em divulgar seus projetos e pedidos de patrocínio nesta seção devem enviar fax para (0- -11) 3856-2935 ou pelo e-mail patrocinio@estado.com.br.

Agencia Estado,

12 de outubro de 2000 | 16h37

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