Cinema chinês sai consagrado do Festival de Veneza

O tradicional Festival de Veneza premiou neste sábado o cinema chinês, por meio dos filmes "Sanxia haoren" ("Still Life", sem tradução para o português), do diretor Jia Zhang-Ke, que ficou com o Leão de Ouro (ao melhor longa-metragem), e "Mabei Shang de Fating", de Liu Jie, dono do prêmio Horizonte.Com isso, a China se tornou uma grande realidade no mundo do cinema, tanto pelos filmes dirigidos por cineastas locais como por servir também de cenário a várias histórias. De fato, o festival apresentou três filmes rodados no país asiático este ano.O filme de Zhang-Ke, de 35 anos e formado em Cinema pela Academia de Pequim, aborda a China atual por meio da história de um mineiro que chega a Fingjie em busca de sua ex-mulher para voltar a se casar e de uma enfermeira que chega à aldeia com o objetivo de recuperar seu marido, ausente de casa por dois anos. "Sanxia haoren" chegou à mostra competitiva do Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, como um "filme surpresa", e não entrava em nenhuma das listas de apostas sobre os longas favoritos.O prêmio foi outorgado por um júri presidido pela atriz francesa Catherine Deneuve, com o filme tendo sido visto até agora por pouquíssimas pessoas, já que teve uma programação quase clandestina, foi exibido em horários ruins e sem a publicidade de outros longas.Em entrevista coletiva realizada após o anúncio da conquista do Leão de Ouro, Zhang-Ke expressou "surpresa", porque pensava que seu filme, que fala sobre as diferenças étnicas e sociais chinesas, não seria compreendido em toda sua complexidade fora do país asiático."Meu filme reflete uma realidade que não estamos acostumados a ver nem na China", disse Zhang-Ke, que explicou que sente "paixão pelo cinema".A atriz Catherine Deneuve explicou que tinha concedido o prêmio "porque o filme apresenta tudo aquilo que é apreciável no cinema: a beleza da fotografia, a qualidade da história e a credibilidade dos personagens".No entanto, esta foi a única surpresa que o júri se permitiu a promover, já que os outros prêmios estiveram em consonância com a opinião da crítica e do público.Assim, o Leão de Prata pela melhor direção, entregue ao veterano diretor francês Alain Resnais por "Private Fears in Public Places" era previsível, depois de a película ter sido recebida de forma especial e até um pouco paternalista pelos organizadores do festival.O Leão de Prata pela melhor revelação na direção, dado ao cineasta italiano Emmanuele Crialese por "Nuovomondo", também era previsível pela magnífica arrecadação do filme.O filme "Khadak", de Peter Brosens e Jessica Woodworth, ganhou o prêmio Leão do Futuro, pela melhor estréia.

Agencia Estado,

09 de setembro de 2006 | 20h37

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