Cineastas fazem campanha por fundação paulista

Os cineastas paulistas estão em campanha por uma fundação. No boca-a-boca, arregimentam seus pares para comparecer, nesta terça-feira, às 18 horas, no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jaceguai, Centro. Nesta data e horário será apresentado e discutido o projeto do Cecim - Centro de Cinema do Município de São Paulo.Segundo um dos mentores do movimento, o cineasta Toni Venturi, diretor de Latitude Zero, a idéia surgiu durante o 1.º Encontro do Cinema Paulista, ocorrido em setembro. Venturi é também o presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), que reúne cerca de cinqüenta diretores e produtores de longas-metragens, e que desenvolveu o projeto do Cecim. O objetivo é criar uma fundação vinculada ao Estado, como a TV Cultura, para desenvolver o cinema paulista.?Queremos um órgão gestor. Entendemos que o Estado não tem que atuar como produtor, mas como fomentador de roteiros, projetos, políticas, tem que fiscalizar, normatizar atividades de cinema como a distribuição, por exemplo?, afirmou Venturi. O projeto, que foi elaborado juntamente com outras entidades ligadas ao cinema, como o Sindicato da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo (Sicesp), inspira-se, segundo Venturi, na experiência do Fundacine, que inseriu o cinema produzido no Rio Grande do Sul no cenário nacional.O Município deverá destinar uma verba anual de R$ 6 milhões para que o Cecim possa funcionar. O projeto foi desenvolvido com apoio do vereador Vicente Cândido (PT) e será apresentado à mesa diretora da Câmara dos Vereadores, já que o objetivo dos idealizadores é transformá-lo em um projeto suprapartidário. ?Queremos criar condições para desenvolver políticas perenes que beneficiem o cinema paulista?, conclui Venturi.Proposta de intençõesVeja abaixo um trecho da carta de intenções que os cineastas entregarão à mesa diretora da Câmara paulista na terça-feira."Com a mudança do perfil da exibição em São Paulo, grande parte da população foi deixando de ter acesso a cinema na cidade. O desaparecimento dos cinemas de bairro, a concentração das salas em shopping centers e o encarecimento do ingresso, são fatores responsáveis pelo surgimento de um enorme contingente de ?sem-tela?. Paradoxalmente, os filmes paulistas continuam sendo produzidos com excelente qualidade, apuro técnico e resultado favorável de crítica, mas infelizmente estas obras não tem conseguido chegar até seu público. Ou seja, há de um lado uma enorme população carente de cultura, informação e diversão, e de outro, filmes com menos audiência/público do que o desejado.Estas são razões que nos levam a acreditar na relevância da implantação de uma entidade de âmbito municipal, que seja o agente fundamental da busca de soluções para reversão deste quadro.Propomos então a criação de uma Fundação, o Centro de Cinema do Município de São Paulo - Cecim, cuja função principal seria a difusão do cinema paulista na cidade, além de ser a instituição de referência e fomento da atividade no município. Áreas de atuação - Difusão: As salas de cinema convencional atingem apenas uma parcela restrita da população, que pode pagar os preços praticados nessas salas, localizadas em sua quase totalidade em shopping centers. Existe uma enorme demanda que não tem acesso a esses filmes. E é esse público, que freqüentava os cinemas de bairro, e que tradicionalmente prestigiava o cinema brasileiro, que está hoje alijado desses filmes. Além deste, há um outro segmento formado por uma parcela da população que não tem acesso à forma nenhuma de cultura e diversão. Com os problemas de distribuição de renda, e as longas distâncias, esse enorme contingente da população não tem como se locomover em grandes distâncias. Dessa maneira entendemos que é necessária a criação de um Circuito de Exibição Popular. Seja criando pontos de exibição alternativos (escolas, casas de cultura, bibliotecas), pontos fixos (utilizando auditórios e espaços vagos) ou utilizando tempo ocioso dos cinemas estabelecidos.Uma ação de difusão continuada, que possibilite a exibição dos filmes fora do circuito tradicional, ou de maneira alternativa no próprio circuito, aumentaria em muito o alcance dos filmes e seu retorno econômico e social."

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