Cineasta vai assumir Secretaria do Audiovisual

Orlando Senna, cineasta de 62 anos,é o novo titular da Secretaria para o DesenvolvimentoAudiovisual (SDAv) do Ministério da Cultura, sucedendo aocientista político José Álvaro Moisés, há quatro anos no cargo.Moisés era chefe de gabinete do ministro Weffort. Antes dele,estiveram na secretaria Miguel Faria Jr. (1995), Vera Zaverucha(de 95 a 96) e Moacir de Oliveira (96 a 98).Entre as atividades recentes, a secretaria financiou epromoveu concursos de roteiros, documentários, curtas-metragens.Em 2001, a SDAv deixou de ser responsável pelo fomento àatividade diretamente produtiva do setor audiovisual, com acriação da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Também deixou deselecionar os projetos que receberiam apoio das leis deincentivo. Suas novas funções, portanto, estão por serdefinidas."Até este momento eu não estou oficialmente nomeado e,portanto, não falo como tal", disse Orlando Senna à reportagem hoje cedo. Mas Senna concordou em abordar questões de natureza filosófica do cargo que assumirá.A Agência Nacional de Cinema tomou para si partedas atribuições da Secretaria do Audiovisual. Qual será aatribuição nova da secretaria?Orlando Senna - A Secretaria do Audiovisual se ocupa doestímulo à criação e da promoção interna e externa da produçãobrasileira, abrangendo o que se convencionou definir como cinemacultural: estímulo à produção de curtas-metragens, dedocumentários com alto interesse social e/ou cultural, deprimeiros filmes; promover a visibilidade do cinema e daprodução independente de TV através de festivais, mostras epublicações; cuidar da preservação do patrimônio audiovisualbrasileiro, da pesquisa, da formação profissional. A SDAvconformará um tripé de atuação com o Conselho Superior de Cinema, que vai traçar as políticas públicas para o setor, e com aAncine, que regulará e fiscalizará o mercado com vistas aofortalecimento industrial. A reformatação do mercado audiovisualbrasileiro, reivindicado pelo setor e anunciado pela equipe detransição no Seminário Nacional do Audiovisual, em dezembro, noRio, será operada sobre esse tríplice suporte. O governo decidiumanter temporariamente a Ancine vinculada à Casa Civilexatamente para que sejam feitos os ajustes básicos necessáriosà distribuição de atribuições entre a agência e a Secretaria doAudiovisual.O ministro Gilberto Gil, em seu discurso detransmissão de cargo, disse que a construção de uma indústriacultural não será mais sua prioridade, que dará uma atençãoespecial à produção mais específica, à arte, ao artesanato. Épossível estimular o surgimento de um cinema artesanal, em suasecretaria?O cinema, por sua natureza, é industrial eartesanal no que se refere à criação. O Brasil produz econtinuará produzindo, como qualquer país que tem ou quer ter umaudiovisual forte, filmes artesanais, experimentais, compropostas artísticas avançadas, que são o caldo cultural em queo cinema industrial e a TV se alimentam. Cinema é tecnologia eeconomia de ponta, mas é essencialmente arte, criação.As leis de incentivo destinaram recentemente, paraum filme como "Xuxa e Os Duendes 2", cerca de R$ 6 milhões. Essetipo de política de concessão de verbas, que nivela "Cidade deDeus" e "Xuxa e os Duendes", não é prejudicial para odesenvolvimento de uma política de revelação da produção oculta,como pediu Gilberto Gil?O ministro Gil já anunciou que as leis deincentivo serão ajustadas aos novos tempos, levando em conta adescentralização da produção audiovisual e a inserção social.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministériosVeja o índice de notícias sobre a transição nos Ministérios

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