Sergey Pivovarov/Reuters
Sergey Pivovarov/Reuters

Cineasta ucraniano completa 100 dias de greve de fome na Rússia

Oleg Sentsov, de 42 anos, é opositor da anexação da Crimeia, deixou de se alimentar em 14 de maio e recebe apenas complementos alimentares injetados

AFP

21 de agosto de 2018 | 22h45

O cineasta ucraniano Oleg Sentsov completa nesta terça-feira 100 dias em greve de fome em uma prisão do norte da Rússia sem que o Kremlin tenha dado sinais de querer libertá-lo, e apesar da deterioração de seu estado de saúde e da pressão dos países ocidentais nesse sentido.

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O diretor de 42 anos, opositor da anexação da Crimeia, deixou de se alimentar em 14 de maio e recebe apenas complementos alimentares injetados por ordem da administração da penitenciária russa.

Apesar dos diferentes pedidos feitos por escritores, atores, cineastas e dirigentes em defesa do cineasta, o Kremlin mantém silêncio sobre o tema, recordando a gravidade dos crimes de "terrorismo" pelos quais foi condenado e defendendo que, para a sua libertação, pode pedir um indulto.

Os serviços penitenciários russos disseram na semana passada que o estado de saúde do cineasta ucraniano era "satisfatório".

Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Sentsov foi condenado a uma pena de 20 anos de prisão em 2015 por "terrorismo" e "tráfico de armas".

Em Praga, vários cineastas tchecos anunciaram que farão uma greve de fome até 25 de agosto, e pediram a seus colegas que se revezem com eles para manifestar solidariedade a Sentsov.

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Dezenas de pessoas protestaram nesta terça-feira em frente à embaixada russa em Kiev, onde exibiram cartazes exigindo "Liberdade para Sentsov".

Segundo sua prima, entrevistada pela AFP na semana passada, "Oleg perde a esperança e já não acredita" em sua libertação.

"Seu ritmo cardíaco está muito fraco, apenas 40 batimentos por minuto. Ele reclama de dores no peito e tenta não se levantar para poupar forças", contou Natalia Kaplan depois de receber uma carta de seu primo.

Chamado de "camicase ucraniano" por seu advogado, que o vê "pronto para morrer", o cineasta aceitou, no entanto, tomar suplementos alimentares que são normalmente administrados em pacientes incapazes de se alimentar.

De acordo com Zoia Svetová, militante russa que visitou o cineasta em 14 de agosto na prisão de Labitnangui, o prisioneiro pode ficar em pé, anda, assiste à televisão, escreve e recebe muitas cartas.

Sentsov alega ter perdido 17 quilos, mas os médicos da prisão dizem que foram 11 quilos, segundo Svetova.

O serviço penitenciário russo informou na semana passada que o estado de saúde do cineasta ucraniano era "satisfatório" e que "não se queixou de nada" durante a visita de membros da comissão de vigilância pública das prisões.

 Pressão ocidental. Em 2015, Oleg Sentsov foi condenado a 20 anos de prisão, depois de um julgamento que a Anistia Internacional chamou de "stalinista".

Os embaixadores do G7 em Kiev e numerosas personalidades do mundo cultural, como o cineasta suíço Jean-Luc Godard e o ator Johnny Depp, pediram a sua libertação.

"Oleg Sentsov está em greve de fome há 100 dias. É um número assustador", declarou nesta terça-feira no Twitter a porta-voz da diplomacia ucraniana, pedindo aos ocidentais que "aumentem a pressão sobre a Rússia".

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pediu, por sua vez, a Moscou que prestasse os "cuidados necessários" ao cineasta ucraniano.

Em 10 de agosto, o presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou por telefone "várias propostas" ao russo Vladimir Putin para "uma solução humanitária", sem dar mais detalhes sobre essas propostas.

Putin e o presidente ucraniano Petro Poroshenko falaram em junho de uma possível "troca de prisioneiros" entre os dois países, mas essa medida não se materializou.

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