Nuovi Paesaggi Urbani Art of Panic
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Cineasta se inspira no filho trans para fazer documentário apoiado por Elliot Page

‘Into My Name’ foi um dos filmes mais votados da seção Panorama do Festival de Berlim

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão 

19 de fevereiro de 2022 | 19h31

Nicolò Bassetti ficou meio nervoso quando sua produtora Gaia Morrione resolveu mandar o documentário Into My Name, sobre a experiência de quatro homens trans, para o ator e produtor Elliot Page (The Umbrella Academy, Juno). “Eu tinha medo da rejeição”, explicou o cineasta italiano. “Mas em poucos dias ele mandou uma carta muito comovente, dizendo ter se identificado com o filme e perguntando o que poderia fazer para ajudar.” 

A chancela certamente dá um belo empurrão a Into My Name, que foi o segundo documentário mais bem votado pelo público na seção Panorama do Festival de Berlim e tem sua sessão final neste domingo, 20, último dia do evento. 

Para Bassetti, Into My Name é pessoal. O diretor teve a ideia no meio da noite, alguns anos atrás, depois de ser encorajado pelo filho Matteo, uma pessoa transgênero. “Ele me pediu para não ter medo”, disse. Ter o distanciamento necessário como cineasta foi um desafio. “Eu precisava ter certa objetividade, mas, sendo pai, claro que você tende a ter uma abordagem mais emotiva. O que realmente me ajudou foi minha relação com Matteo. Trabalhamos de maneira muito próxima, e ele praticamente virou uma espécie de mentor. Nós conversamos o tempo todo e tratamos das inseguranças que eu tinha.”

Sua ideia não foi abordar todos os tipos de experiências que pessoas têm ao fazer suas transições. “Eu também prometi a meu filho que ia evitar os estereótipos, os clichês relacionados aos homens trans.” 

Ele escolheu como personagens quatro jovens amigos de Bolonha que estão em diferentes fases e têm vivências diferentes. Estão lá as dificuldades que eles enfrentam, especialmente as burocráticas, mas o filme passa ao largo da violência e do preconceito para focar em suas vidas, relacionamentos e sonhos. “Nós procuramos a beleza, acima de tudo. E se há algo que aprendi foi ver o todo. A não pensar em pessoas como homens e mulheres, mas como seres humanos.”

 

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