Cineasta israelense é aconselhado a evitar festival

O Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, que começa em 14 e prossegue até 27 de agosto, recusou dinheiro da Embaixada israelense do Reino Unido e declarou que a causa é o conflito no Oriente Médio entre o Israel e Líbano. A diretora do festival, Ginny Atkinson, disse que o dinheiro - cerca de US$ 566 - foi doado para que o cineasta Yoav Shamir possa participar do festival. Seu documentário, Cinco Dias, que pôde ser visto no Brasil no É Tudo Verdade - 11.º Festival Internacional de Documentários, está programado para ser exibido no dia 16, às 17h30.O documentário de Shamir, Cinco Dias, fala sobre o rompimento do acordo estabelecido entre Israel e a Faixa de Gaza em agosto de 2005, isto é, retrata um dos mais representativos fatos históricos no Oriente Médio da última década: a desocupação de Gaza. O documentário integrou a lista de produções exibidas no É Tudo Verdade - 11.º Festival Internacional de Documentários, que aconteceu de 23 de março a 2 de abril em São Paulo e de 24 de março a 2 de abril no Rio de Janeiro, com extensões em Brasília (3 a 16 de abril) e em Campinas (24 a 30 de abril). Ginny Atkinson disse que o festival recusou o dinheiro depois que grupos de palestinos protestaram contra a guerra travada no Oriente Médio. "Nós quisemos manter a relação de independência com os cineastas", afirmou a diretora. Segundo Ginny, o festival escreveu uma carta a Shamir alertando-o sobre os protestos e recomendando que ele não viesse este ano ao festival para sua própria segurança. "A carta foi enviada para que ele soubesse como está o clima aqui, foi uma maneira de protegê-lo", disse ela. "Ele é muito bem-vindo aqui, nós certamente não estamos tentando expulsá-lo", explicou Ginny. Shamir participou do evento em Edimburgo em 2003 com o documentário Checkpoint, que retrata do dia-a-dia dos palestinos.Segundo o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, mais de 900 libaneses, em sua maioria civis, morreram no conflito entre Israel e Líbano, que se intensificou com a ofensiva israelense realizada há 22 dias, depois que dois soldados foram capturados em 12 de julho pelo grupo libanês Hezbollah. Shamir, de 35 anos, rebateu e disse que pretende ir a Edimburgo assistir à exibição de seu filme. "O festival não deixa de exibir filmes de diretores norte-americanos por causa da guerra travada no Iraque", desabafou o diretor israelense. "Quando um festival decide tomar uma medida dessas, é um passo bastante arriscado", disse ele, acrescentando que os filmes criam diálogos que são essenciais para que se possa entender as relações humanas.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 15h55

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