Cineasta explica como adaptou A Prova para as telonas

Em 2001, quando os produtores Jeff Sharp e John Hart ofereceram a John Madden um roteiro adaptado de "A Prova", peça de David Auburn, ele gostou, mas não viu como transformá-lo em filme. No ano seguinte, Madden retomou a história da estudante de matemática às voltas com a morte do pai, desta vez na condição de diretor de uma montagem que trazia Gwyneth Paltrow no papel principal. Foi a partir desse contato que ele vislumbrou uma adaptação para o cinema."Foi estranho como aconteceu", contou Madden ao Estado. "O que me mandaram, no início, foi um roteiro adaptado da peça, não o que filmamos. Achei o material sensacional, diálogos e personagens, tudo muito bom. Mas achava que, daquela maneira, não funcionava como um filme."Madden aceitara montar uma peça no Donmar Warehouse, em Londres, para a companhia do também cineasta Sam Mendez. Como a peça ainda seria escolhida, o diretor de "Beleza Americana" indicou a leitura de "A Prova". Madden disse que conhecia a peça e sugeriu Gwyneth como ideal para o papel de Caroline. Foi durante esse processo que a história para a tela se desenhou."O filme é fiel à peça, mas não na estrutura", contou o diretor. "No texto, duas histórias são contadas. Uma, a de uma garota cujo pai morreu. Cuidou dele durante anos, não quer ter nada com a matemática, mas guardou uma tese na gaveta e precisa provar ser ela a autora. A outra história é subjetiva, mais difícil de se atingir, pois se passa na cabeça dela: se ela assume o controle da própria vida, se ela é testemunha confiável da experiência, se o trabalho que ela fez é real ou não."Na montagem inglesa, Madden tentou ressaltar a segunda história, de forma mais intimista e minimalista. E notou que era interessante contá-la em forma de filme, porque o cinema é veículo ideal para se mostrar o ponto de vista de um personagem. Outra característica da peça que a tornava ideal para o cinema era o mistério que se estabelece quando Caroline tem de provar que a tese é sua e não de seu pai."É uma história de detetive, uma espécie de who dunnit (do inglês who did it, quem fez isso) e isso gera uma boa estrutura narrativa", disse. "Também percebi, enquanto dirigia a peça, que havia um mistério no presente e a resposta estava no passado. Ficou claro que uma boa maneira de dirigir o filme estava em suspendê-lo entre as duas zonas de tempo. Na verdade, há uma espécie de lógica matemática na maneira de como partes acabam interagindo e que se relacionam com a perspectiva dela."Madden ficou preocupado com o duplo sentido na tradução do título original, "Proof", para o português, "A Prova": "Que pena! Da maneira como se coloca na matemática, uma hipótese colocada como equação deve ser comprovada por uma prova, mas no sentido de validar o resultado apresentado. Acho que na tradução em português esse sentido se perdeu (risos)."Ele gostaria de passar a idéia de que há um mistério, cuja "prova" está em algum lugar entre as certezas matemáticas e as diferentes perspectivas da experiência humana, com seus sentimentos incertos. "Não gostaria que as pessoas pensem que é um filme sobre matemática. Porque não é disso que se trata." A Prova (Proof, EUA/2005, 74 min.) - Drama. Dir. John Madden. 12 anos. Em grande circuito. Cotação: Bom

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.