Myo Kyaw Soe/Reuters
Myo Kyaw Soe/Reuters

Cineasta é condenado por postagem crítica a militares em Mianmar

Preso desde abril, Min Htin Ko Ko Gyi foi condenado a um ano de prisão e trabalho forçado por violar uma lei da era colonial

Redação, Reuters

29 de agosto de 2019 | 14h42

Um tribunal de Mianmar condenou um cineasta destacado a um ano de prisão e trabalhos forçados, nesta quinta-feira, 29, por causa de postagens críticas aos militares no Facebook.

Min Htin Ko Ko Gyi foi preso em abril e acusado de violar uma lei da era colonial que proíbe pronunciamentos que possam levar um soldado ou outro membro do serviço “a se amotinar ou de alguma maneira negligenciar ou falhar em sua tarefa”.

As postagens dele no Facebook criticaram o papel dos militares na política e a Constituição de 2008 do país, que foi elaborada pela antiga junta governante e que a líder civil Aung San Suu Kyi está tentando emendar.

Falando diante da corte, Min Htin Ko Ko Gyi disse aos repórteres que já esperava o veredicto.

“Por favor, não se preocupem comigo. Eu voltarei”, disse. “Também quero pedir a todos que marchem juntos vigorosamente para emendar a Constituição com nossos líderes”.

Embora Suu Kyi tenha tomado posse com uma vitória eleitoral arrasadora em 2015, a Constituição reserva funções políticas cruciais para os militares, incluindo um quarto das cadeiras do Parlamento.

O partido governista, de Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia, propôs reduzir gradualmente o número de representantes militares no Parlamento ao longo de um período de 15 anos.

O porta-voz do governo, Zaw Htay, disse que não podia comentar o caso de imediato. Dois porta-vozes dos militares não responderam a ligações pedindo comentários.

Robert San Aung, advogado de Min Htin Ko Ko Gyi, disse à Reuters que apelará da decisão.

“Seus escritos não correspondem às características da seção de que ele foi acusado”, argumentou San Aung. “Não causaram motim ou desrespeito entre os militares”.

Recentemente, Min Htin Ko Ko Gyi passou por uma cirurgia de câncer de fígado, disse San Aung, acrescentando que teme pela saúde de seu cliente na prisão.

De acordo com a Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos, 161 pessoas estão presas ou sendo julgadas em Mianmar devido ao que o grupo de direitos humanos diz serem acusações com motivações políticas.

Maung Saungkha, ativista da organização de direitos humanos Athan, disse que a pena foi um “golpe duro na liberdade de expressão em Mianmar”.

A Human Rights Watch também repudiou o veredicto.

“Min Htin Ko Ko Gyi nunca deveria ter sido preso, muito menos processado e aprisionado, por expor opiniões críticas sobre os militares abusadores de direitos humanos de Mianmar”, disse o vice-diretor para a Ásia, Phil Robertson, em um comunicado.

Ele exortou o governo civil a usar sua maioria absoluta no Parlamento para revogar leis que “violam claramente o direito à liberdade de expressão”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.