Sarah Meyssonnier/Reuters
Sarah Meyssonnier/Reuters

Cineasta Asghar Farhadi é acusado de plágio por ex-aluna e será julgado no Irã

Azadeh Masihzadeh alega que 'Um Herói' foi baseado em seu documentário 'All Winners All Losers'

Redação, EFE e agências internacionais

06 de abril de 2022 | 11h50

Asghar Farhadi, famoso diretor iraniano vencedor de dois Oscars, será julgado em um tribunal no Irã por plagiar a ideia de um ex-aluno no filme Um Herói, disse seu advogado Kaveh Rad.

Rad, em uma mensagem postada em sua conta no Instagram, explicou que houve três reclamações sobre o filme de Farhadi - duas por parte de uma de seus ex-alunos, Azadeh Masihzadeh, e uma por parte de um prisioneiro na cidade, que diz que o filme é a história de sua vida.

A alegação de Masihzadeh por "violação de direitos autorais" foi admitida pelo juiz, enquanto seu pedido de participação em todas as receitas domésticas e estrangeiras do filme foi rejeitado. A alegação do prisioneiro, de ter tido sua reputação prejudicada, também foi rejeitada, explicou Rad em sua mensagem.

O advogado explicou que a admissão da denúncia e o fato de Farhadi ter sido considerado culpado não é o veredicto final e que, após o processo de julgamento, o caso será reexaminado em um tribunal criminal e depois no tribunal de apelação.

Masihzadeh diz que Um Herói foi baseado em um documentário chamado All Winners All Losers, que ela fez cerca de quatro anos atrás quando era aluna de Farhadi, de acordo com a agência de notícias iraniana local Fars.

O filme Um Herói foi exibido no Festival de Cinema de Cannes no ano passado e ganhou o Grande Prêmio do Júri. O filme arrecadou cerca de US$ 2,5 milhões nos cinemas de todo o mundo até hoje e a empresa Amazon detém os direitos do filme nos Estados Unidos.

O documentário e o filme são focados na história de um homem que deixa a prisão e se depara com uma bolsa contendo moedas de ouro. Quando ele tenta devolver, as coisas se complicam.

Farhadi já havia processado Masihzadeh por difamação, quando ela o acusou de plágio. No início desta semana, o tribunal iraniano decidiu os dois processos a favor de Masihzadeh, descartando o caso de difamação. Segundo o advogado de Masihzadeh, se tivesse sido considerada culpada ela poderia ser condenada a até dois anos de prisão e a 74 chibatadas.

Farhadí, de 49 anos, ganhou o Oscar de melhor filme internacional por A Separação, de 2011, e por O Apartamento, de 2016

 

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