Cineasta Amaka Igwe debate na FGV, no Rio

A cineasta Amaka Igwe participa hoje, às 10 horas, do seminário A Emergência do Cinema Povo, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Além de abordar o fenômeno nigeriano com uma palestra de Amaka, o evento discutirá o cinema na África do Sul e os incentivos governamentais sob o âmbito da descentralização da produção. No final, será exibido um filme nigeriano. Leia abaixo entrevista com a cineasta. Como a senhora avalia o fenômeno do cinema nigeriano? Os cineastas nigerianos produziram mais de 20 mil filmes nos últimos 12 anos. Em 2002, foram 3.200 filmes. Em 2004, foram 2.100. O cinema nigeriano tem suas raízes combinadas no desenvolvimento da tecnologia do vídeo e no boom do petróleo na Nigéria, entre 1973 e 1979. Isto trouxe uma enorme quantidade de aparelhos de TV e vídeo para o país. Calcula-se que foram 77 milhões de televisões e 60 milhões de videocassetes. O governo de alguma maneira influencia ou influenciou neste processo do cinema nigeriano? O cinema nigeriano sempre foi comando por iniciativas privadas. Somente agora o governo começou a participar. Qual o custo médio para produzir um filme na Nigéria? Por volta de US$ 25 mil. Comparado com outras partes do mundo, não é muito, mas na Nigéria não é pouco dinheiro. Nosso segredo não é quanto se gasta, mas a eficiência e o pouco tempo gasto nas filmagens. Há quem diga que falta qualidade técnica no cinema nigeriano. Isto vem mudando de um tempo para cá? No começo, esta parte técnica era realmente fraca. Nós começamos com o vídeo analógico, mais voltado para o formato da televisão. Depois, migramos do VHS para o Super VHS, para o U-Matic, para o Betacam. E quando a tecnologia digital chegou, houve um tremendo salto de qualidade. Agora, estamos adotando o formato de alta definição e isto é um dos fatores para o interesse no cinema continuar em alta aqui. Mas os enredos bem feitos sempre compensaram estes problemas técnicos, que nunca foram relevantes para o nosso povo. Esta questão de qualidade é menos importante quando se pensa na inclusão social e na autonomia cultural que o cinema permite à sociedade. A senhora identifica esta inclusão social no dia a dia do povo nigeriano causada pelo cinema? O cinema nigeriano sempre tratou e ajudou estas questões de inclusão social e autonomia cultural. Mais do que isso. Sempre proporcionamos que outros países africanos pudessem escapar do vício do cinema de Hollywood, que eles sempre foram forçados a comprar por falta de opção. Hoje em dia, o cinema nigeriano é assistido em 80% da África. Economicamente, o cinema nigeriano também ganhou proporções enormes. Gira uma fortuna e emprega milhares de pessoas. A senhora tem estes números? Quanto movimenta o cinema nigeriano? Quantos empregos são gerados? Cada filme emprega cerca de 50 pessoas diretamente e outras 30 indiretamente. O cinema é ainda o sustento de milhares de donos de videolocadoras e outros empregados. Nossas pesquisas apontam que cerca de 300 mil pessoas são empregadas anualmente apenas na produção dos filmes. Calculamos em US$ 4 bilhões o valor movimentado por esta indústria. Este número aumenta ainda mais se incluirmos o massivo comércio dos filmes com Milão, Amsterdã, Frankfurt, New York, Houston, Atlanta, Maryland, Londres, Barcelona... Quais são os principais temas abordados nos filmes? Há uma enorme variedade. Amor, romances, religião, tradição e crimes são temas populares. O cristianismo é parte integrante da sociedade nigeriana. A Nigéria é o país com o maior número de igrejas por quilômetros quadrado no mundo. A religião aqui é muito importante. Como se faz a distribuição dos filmes? Como é este contato entre a indústria do cinema e os vendedores de rua? Quanto em média custa um filme? Continuamos vendendo filmes nos mercados de rua por 3 dólares, mas a distribuição já começa a falhar. É o novo foco dos empreendedores no cinema nigeriano. Como fica a questão da pirataria? Os filmes podem ser copiados livremente? A pirataria não é um grande problema na Nigéria. Os equipamentos para copiar os filmes aqui ainda são muito caros e isto é uma barreira para as falsificações. Quais os próximos passos do cinema nigeriano? Nos sempre fizemos filmes na Nigéria para os nigerianos. Agora, estamos prontos para fazer filmes para os nigerianos e também para o restante do mundo. A Emergência do Cinema Povo, com Amaka Igwe. Fundação Getúlio Vargas. Praia de Botafogo, 190/13º andar, Rio de Janeiro, tel. (21) 2559-5450.

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