Cine Marrocos dará lugar a cinco salas com som digital

O Cine Marrocos vai virar um multiplex Cinemark, com cinco salas e som digital. Mas, ainda falta levantar fundos para o Cinemark Marrocos - um projeto ambicioso para uma região que acaba de perder o tradicional Cine Ipiranga. Valmir Fernandes, diretor-presidente da exibidora no Brasil, diz que no começo da semana o proprietário do prédio permitiu que a rede assumisse a administração da sala, que fica na Rua Conselheiro Crispiniano. O diretor financeiro da Cinemark, Marcelo Bertini, é mais cauteloso. "O negócio evoluiu bastante, mas ainda não está fechado". O que falta, então, para o Cine Marrocos ser reaberto? "Falta um patrocinador", diz Bertini. Pela primeira vez, a Cinemark fará uma parceria comercial para abrir um multiplex, incluindo o nome do patrocinador nos letreiros, como aconteceu com o tradicional Belas Artes, que, depois de uma grande reforma, passou a chamar-se HSBC Belas Artes. A única certeza é de que o Marrocos só não vai virar bingo, igreja ou estacionamento - como temem os cinéfilos desde 1997, quando a sala foi desativada. No lugar das mil poltronas de couro (intactas, por sinal), a Cinemark pretende construir um multiplex com cinco salas menores. Um projeto arquitetônico já foi formulado, com ênfase na preservação da fachada e dos espelhos esverdeados na entrada - com inspiração nas Mil e Uma Noites. O prédio, a exemplo de outras dezenas de construções no Centro, é tombado. Qualquer alteração dependerá da aprovação da Prefeitura. As salas, no entanto, ficarão moderninhas: terão som digital, tela gigante e poltronas padronizadas, com espaço para copos. Isso tudo será cobrado também do público. "É óbvio que o preço do ingresso não será o mesmo dos outros cinemas do Centro, mas o público terá mais qualidade e conforto", avisa Fernandes. Como o motivo do fechamento da maioria dos cinemas do Centro foi a decadência dos arredores, ele acredita que o projeto dará certo porque coincide com as ações de revitalização da região. "Muitas pessoas no Centro não vão ao cinema porque não encontram salas freqüentáveis", diz. "Mas só a concretização da idéia dirá se a modernização da sala deu certo ou não." O Marrocos não será o único cinema a ressuscitar na região. Outra grande exibidora, a Playarte, também está estudando a proposta de revitalizar o Cine Marabá (na Avenida Ipiranga), já controlado por ela. Um projeto de modernização do espaço já foi desenhado pelo arquiteto Ruy Ohtake, e prevê que os 1.655 lugares do cinema sejam transformados em cinco salas menores, com capacidade para 157 a 223 pessoas.

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