Cine Ceará testa novo formato

Com a exibição fora de concurso de Juazeiro - A Nova Jerusalém, de Rosemberg Cariry, começa na sexta-feira, em Fortaleza, a 11ª edição do Cine Ceará. A escolha para a abertura recai sobre a prata da casa, e é natural que seja assim. Rosemberg é cineasta tarimbado e tem em seu currículo títulos como Corisco & Dadá e A Saga do Guerreiro Alumioso. São filmes barrocos, impregnados da profunda relação que o artista mantém com a cultura de sua terra. Juazeiro não deve ser uma exceção na filmografia de Rosemberg. No longa, ele revisita um dos lugares míticos do Ceará, a terra de padre Cícero, e confluência dos poderes temporal e religioso. Quem já assistiu a uma romaria em Juazeiro sabe como a mística da terra continua entranhada na população. Sobretudo na população sofrida, espremida entre a miséria e a esperança.No sábado começa a mostra competitiva de curtas nacionais, e domingo tem início a disputa entre os longas que, este ano, terá seis participantes. Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho, O Fim do sem Fim, de Beto Magalhães, Cao Guimarães e Lucas Bambozzi, Onde os Poetas Morrem, de Werner e Willy Schuman, Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival, Barra 68, de Vladimir Carvalho, e Latitude Zero, de Toni Venturi. Memórias Póstumas, que André Klotzel adaptou do clássico de Machado de Assis Memórias Póstumas de Brás Cubas, fecha o festival, também fora de concurso, na próxima quinta.Ao lado da competição de longas ocorrem vários outros eventos, como a retrospectiva do cinema cubano, uma mostra do cinema cearense e a competição de curtas e médias em película e vídeo. Mas, claro, o fundamental, o cartão de visitas do festival passa a ser mesmo a disputa de longas-metragens. Passa a ser porque este é o novo formato do Cine Ceará. Até o ano passado havia uma competição entre longas estrangeiros de diretores estreantes e a disputa em nível nacional restringia-se a curtas e médias.Será que o novo formato vai dar certo? O Brasil, como se sabe, sofre de overdose de festivais. Com a retomada da produção brasileira, cada cidade do País resolveu que seria bom negócio ter seu festival de cinema. Associa-se turismo (isto é, grana) a um produto supostamente charmoso, o cinema. E todos ficam contentes. Acontece que não há produção suficiente e os filmes tendem a se repetir, de festival em festival. Sobram os tradicionais, Brasília e Gramado, à frente. Recife vem se firmando pela grande afluência de público. Mas, só para ficar no resultado deste ano no Recife, de que vale premiar um filme como Bicho de Sete Cabeças, que já havia faturado tudo o que era possível em Brasília no ano passado?O Cine Ceará tinha perfil próprio com a mostra internacional de novos talentos. Agora decidiu voltar-se para a competição de longas nacionais. Conseguiu alguns inéditos. Eles terão qualidade para justificar (mais) uma competição de longas? É a pergunta que começa a ser respondida a partir de domingo.

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