Cine Ceará chega à 18.ª edição com seleção ibero-americana

Filmes do Brasil, Peru, Venezuela, Chile, Argentina, México e Espanha disputam troféus da mostra de Fortaleza

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado S. Paulo,

08 de abril de 2009 | 16h39

Pelo terceiro ano em formato ibero-americano, o Cine Ceará, em sua 18.ª edição, começa nesta quinta-feira, 10, à noite com o símbolo perfeito dessa união transcontinental. Fernando Birri, argentino e patrono do festival, vem a Fortaleza para apresentar seu filme mais recente, Elegia Friulana, realizado na região italiana do Friuli, terra dos seus avós. Birri é criador da mitológica escola documental de Santa Fé e autor de uma das obras mais importantes do cinema latino-americano, o documentário Tiré-Die, que influenciou gerações de cineastas. Mora na Itália e comparece a Fortaleza para acompanhar a estréia do filme e também para lançar seu livro O Alquimista Democrático, que sai agora em tradução brasileira.  Veja também:Acompanhe o festival pelo blog do Zanin Confira a programação do Cine Ceará  De europeu, na mostra, além de Elegia Friulana, só há um espanhol, Vete de Mi, que entra na competição em companhia de brasileiros, venezuelanos, chilenos, argentinos e mexicanos. São dez os participantes na seção principal, a de longas-metragens, e o Brasil traz o maior número de competidores, quatro, sendo dois de São Paulo (Nossa Vida não Cabe num Opala e Falsa Loura), um cearense (O Grão) e um carioca (Os Desafinados). Completam a mostra um longa do Peru (Tambogrande), um da Venezuela (Postales de Leningrado), um do Chile (Specials Circunstances), um argentino (Las Vidas Posibles) e um mexicano (Luz Silenciosa). Da outra mostra competitiva de Fortaleza - a de curtas-metragens - participam apenas brasileiros, com 18 filmes de vários Estados da Federação. Nesse segmento, como no de longas-metragens, o Cine Ceará optou pela convivência de suportes. Há desde a tradicional película em 35 milímetros até os formatos digital e Beta. Solução democrática e simpática aos realizadores, mas com a qual a qualidade visual e sonora às vezes sofre, embora não seja politicamente correto dizer isso. Contra a corrente, há festivais que ainda resistem à tecnologia digital. Brasília, por exemplo, só aceita competidores em película de 35 milímetros. Essa convivência, seus prós e contras, é um vasto tema para discussões acaloradas entre realizadores e diretores de festival, uma espécie de Fla-Flu do meio cinematográfico. Podemos deixá-lo aos diretamente interessados. Como acontece com outros festivais importante, também o Cine Ceará promove uma série de eventos paralelos que acompanham sua atividade principal, as mostras competitivas. Neste ano, em Fortaleza, teremos dois seminários durante o evento. O primeiro Nordeste, Cangaço e Cinema, tem como tema central Cangaço - a Parte Mal-Dita, sob a coordenação do professor e filósofo Daniel Lins. Compõe-se de 14 conferências, que esmiúçam desde a representação do cangaço no cinema até o delicado relacionamento político entre Padre Cícero e Lampião. Cabe lembrar que existe uma vasta filmografia brasileira tendo por tema o cangaço, "gênero" que foi apelidado pelo crítico Salvyano Cavalcanti de Paiva de "nordestern" - o western nordestino. O segundo seminário a ser acompanhado em Fortaleza discute tema polêmico atual - a TV pública. Para debatê-lo, estarão na cidade Orlando Senna (cineasta e diretor-geral da TV Brasil) e Leopoldo Nunes (diretor de conteúdo da TV Brasil), além de Paulo Rufino, presidente do Congresso Brasileiro de Cinema. Além dessas atividades, o Cine Ceará homenageia algumas personalidades. As principais delas, pela importância para o mundo do cinema, são os atores José Dumont e Jorge Perugorría. Dumont é um dos atores brasileiros mais completos. Quem não se lembra dele em Gaijin, Lúcio Flávio e, mais recentemente, em Narradores de Javé? Já Perugorría é o ator cubano com maior trânsito internacional. Ficou famoso mundo afora depois de fazer o homossexual de Morango e Chocolate. No Brasil, filmou Navalha na Carne com Neville d’Almeida. O festival se encerra dia 17 com um verdadeiro doce-de-coco para o cinéfilo - a exibição da cópia restaurada de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, um dos filmes de Glauber Rocha mais conhecidos no exterior e que valeu ao cineasta o prêmio de melhor direção em Cannes em 1969.   Filmes em competição:  Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro (Brasil) Specials Circunstances, de Mariane Teleki e Hector Salgado (Chile/EUA) Vete de Mi, de Victor García Leon (Espanha) Postales de Leningrado, de Marian Rondon (Venezuela) Falsa Loura, de Carlos Reichenbach (Brasil) O Grão, de Petrus Cariry (Brasil) Tambogrande, de Ernesto Cabellos (Peru) Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas (México/França/Holanda) Os Desafinados, de Walter Lima Jr. (Brasil) Las Vidas Possibles, de Sandra Gugliotta (Argentina)

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