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Cinco razões que tornam Otelo imprescindível

Retrospectiva marca os 100 anos do seu nascimento

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 09h00

1)  Grande Otelo foi um dos nomes mais importantes da era das chanchadas. Este gênero, musical e humorístico por excelência, durante muito tempo foi julgado com preconceito, mas depois foi reabilitado pela crítica. O público sempre o amou. Trata-se de um cinema popular que teve seus momentos de invenção. Fazia humor sem as apelações da comédia brasileira contemporânea. Grande Otelo e Oscarito formaram uma dupla inesquecível, levando a paródia ao seu ponto máximo. Veja-os, por exemplo, satirizando Romeu e Julieta no filme Carnaval no Fogo. 

2)  Nos anos 1950, o diretor Nelson Pereira dos Santos aclimatou o neorrealismo italiano ao Brasil e passou a fazer filmes retratando tipos populares. Escolheu Grande Otelo para protagonista do seu segundo longa, Rio Zona Norte, de 1957. Nele, Otelo interpreta o compositor Espírito da Luz, que entra em coma após a queda de um trem e rememora sua vida, de como foi explorado e teve de vender a autoria dos seus sambas para oportunistas. Contracena com a cantora Angela Maria e o samba apresentado, Malvadeza Durão, na verdade é de Zé Kéti. 

3)  Grande Otelo podia ser engraçado e triste no mesmo filme, e às vezes na mesma cena, o que só atores fora de série conseguem. Seu personagem em Assalto ao Trem Pagador é exemplo disso. Sempre bêbado, protagoniza os momentos mais cômicos deste que é considerado o melhor filme policial brasileiro de todos os tempos, cuja história é baseada num assalto real. No entanto, quando testemunha o enterro de uma criança na favela, Cachaça (é este o merecido apelido do personagem) emociona ao abrir os olhos do público para o drama social que está por trás da trama. Aliás, Otelo se dava bem em filmes policiais. A cena da morte do seu personagem Passarinho, em Amei um Bicheiro, era a favorita em toda a sua filmografia.

4)  A versatilidade cômica de Grande Otelo o tornou apto também a trabalhar em filmes do Cinema Novo, que tinha uma preocupação crítica em relação à sociedade brasileira, na época vivendo sob uma ditadura. Assim, pôde ser o protagonista de Macunaíma (dividindo o papel com Paulo José), na adaptação de Joaquim Pedro de Andrade para o romance-rapsódia de Mário de Andrade. A "entrada em cena" de Macunaíma é antológica

5)  Otelo entra para a história do cinema mundial ao ciceronear, junto com Herivelto Martins, o cineasta Orson Welles em sua passagem pelo Brasil em 1942. Como se sabe, Welles veio para cá rodar um documentário convencional, encomenda da "política de boa vizinhança" em tempos de guerra. Otelo levou Welles aos morros cariocas, onde o norte-americano pôde testemunhar a maravilha do samba e o horror da miséria. Quando esses elementos começaram a entrar em sua obra, o filme foi suspenso pela produtora americana. No entanto, esse conhecimento da realidade permaneceu na memória de Orson Welles. Na ocasião, Welles disse que Grande Otelo era o maior ator do Brasil.

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