'Ciganos da Ciambra', produção de Scorsese, e filme com Edson Celulari estão entre as estreias

'Ciganos da Ciambra', produção de Scorsese, e filme com Edson Celulari estão entre as estreias

Longas estão entre as estreias desta quinta, 3

O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 06h01

'Ciganos da Ciambra’, um retrato duro e realista 

Luiz Carlos Merten 

Produzido por Martin Scorsese e Rodrigo Teixeira, Ciganos da Ciambra beneficiou-se da parceria para ganhar a mídia na Europa e nos EUA. O filme ganhou mais elogios. Em outubro de 2017, o diretor italiano Jonas Carpignano veio mostrar seu filme no Festival do Rio. Havia a expectativa de que Ciganos, indicado pela Itália, cavasse uma vaga no Oscar. No final, isso não ocorreu, mas nem por isso o filme é menos digno de atenção.

Ao repórter, Carpignano contou como nasceu o projeto. Parece coisa de cinema, você vai ver. O filme conta a história de uma família de ciganos na região da Ciambra. Em 2011, Carpignano teve seu carro roubado por parte do bando. Foi atrás do ladrão, conheceu a família – e imediatamente começou a sonhar com o filme. Pio, interpretado por Pio Amato, é apenas um garoto, mas já age como homem. Nem precisou fazer muita preparação. O personagem é ele.

Para a crítica, Carpignano bebe na fonte do neorrealismo. Afinal, atores não profissionais, o retrato realista de uma comunidade pobre, marginalizada. O diretor diz que não pensou em Roberto Rossellini nem Vittorio De Sica, mas reconhece que, sendo cinéfilo, ambos fazem parte do seu imaginário. “Essa coisa de dramatizar pessoas e coisas da vida real pode criar o vínculo, mas o cinema é dinâmico e o neorrealismo influenciou a nouvelle vague, o Cinema Novo. Hoje, seria impossível criar um neorrealismo puro, porque tudo mudou. Tem gente que diz que vê no filme a pegada de Cidade de Deus. Pode ser, mas a influência, a referência do neorrealismo existe e é forte. Define um cinema comprometido com a realidade, o que Ciganos da Ciambra quer ser, com certeza.”

E Pio, por que não veio ao Rio? “Ele estava louco para vir, mas Pio agora tem carro, tirou a carta. Não um carro roubado, mas comprado com dinheiro do seu trabalho. E ele arranjou uma namorada. Ele está curtindo esse momento tão rico da sua juventude.”

 

 

Gringo - Vivo ou Morto’ e sua mistura de ação e comédia

Gringo - Vivo ou Morto / Gringo

(EUA-Aust./2017, 110 min.)Dir. de Nash Edgerton. Com Joel Edgerton, Charlize Theron, David Oyelowo

O filme acompanha a luta pela sobrevivência do funcionário dedicado Harold Soyinka (vivido por David Oyelowo), que está desconfiado de que será demitido, tendo em vista as mudanças que a empresa onde trabalha está passando. Quando tem que ir ao México a trabalho, ele tem uma ideia mirabolante e decide forjar o seu próprio sequestro. Mas, nessa trama intrincada em que Soyinka se envolve, nada sairá como ele queria – e, de cidadão respeitador da lei, se transforma em um criminoso procurado. Longa mistura ação e comédia, e tem no elenco Charlize Theron e na direção o estreante em longas Nash Edgerton, irmão do ator Joel Edgerton. 

 

Verão, paixão e a noite que se aproxima em ‘O Parque’

O Parque / Le Parc (França/2017, 72 min.)Dir. Damien Manivel. Com Naomie Vogt-Roby, Maxime Bachellerie, Sobere Sessouma

É verão, e um rapaz e uma garota têm seu primeiro encontro em um belo parque. Eles passeiam, conversam e sentem que têm uma forte conexão. Logo, a timidez, a insegurança e o medo são superados e dão lugar à paixão. Com o pôr do sol surge uma situação difícil, é hora de se separarem, mas a noite traz surpresas sinistras. Com direção de Damien Manivel, da comédia dramática Um Jovem Poeta, de 2015, e do drama A Noite em Que Nadei (codireção de Kohei Igarashi), que deve ser lançado ainda em 2018 e participou da 41.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro de 2017.

 

Em ‘Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos’, um ensaio sobre tolerância e vida em sociedade

Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos. (Brasil/2016, 94 min.)Dir. Paulo Nascimento. Com Edson Celulari, Soledad Villamil, Leonardo Machado

O cinema já contou muitas histórias de cegos que se operam para tentar recuperar a visão, mas nunca com a pegada de Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos. Edson Celulari é quem faz o papel. Um pizzaiolo que nasceu cego e vive no Bixiga – mas o filme, tirando as externas, foi feito em interiores em Porto Alegre, de onde é o diretor, Paulo Nascimento. Muitos filmes, mas nenhum como esse.

Pois Vittorio, o cego de Celulari, não quer ver. Quando, pressionado pela mulher, Clarice – vivida pela atriz argentina Soledad Villamil, de O Segredo dos Seus Olhos, vencedora do Kikito de Cristal em Gramado, no ano passado –, faz a cirurgia, não consegue se adaptar. Segue fechando os olhos para viver, trabalhar. Só isso já fez de Teu Mundo um filme diferente. Ao pesquisar, o diretor chegou a ouvir de um deficiente visual. “Ninguém pergunta a quem enxerga se quer ser cego? Por que teria de querer ver?” Pode ser perturbador, e é isso que o filme, muito bem interpretado, tenta passar. (L.C.M.)

 

Paulo e Lucas e a mensagem de Cristo

Paulo, o Apóstolo de Cristo. (EUA/2018, 108 min.)Dir. Andrew Hyatt. Com James Faulkner, Jim Caviezel, Olivier Martinez

O filme conta a história de Paulo, um dos mais fiéis apóstolos de Cristo, mas antes conhecido como um grande perseguidor de cristãos. Lucas, o evangelista, arrisca a vida para visitar Paulo, ex-soldado que é mantido encarcerado numa prisão romana sob o comando de Nero. Juntos, eles lutam contra um imperador determinado e as fragilidades do espírito humano para viver o Evangelho de Jesus Cristo e levar sua mensagem ao mundo. Dirigido e escrito por Andrew Hyatt (Maria Cheia de Graça), o filme tem como protagonista o experiente James Faulkner (lorde Randyll Tarly de Game Of Thrones) e Jim Caviezel (Jesus Cristo em A Paixão de Cristo) como Lucas. 

 

O jogo mortal de ‘Verdade ou Desafio’

Verdade ou Desafio. (EUA/2018, 100 min.)Dir. Jeff Wadlow. Com Lucy Hale, Tyler Posey, Violett Beane

Olivia (Lucy Hale, da série Pretty Little Liars) viaja com os amigos para o México como despedida antes da formatura, mas o que deveria ser um momento para desanuviar as ideias vira um pesadelo. Tudo é causado por Carter (Landon Liboiron, de Frontier), jovem que induz o grupo a se aventurar pelo jogo aparentemente inofensivo Verdade ou Desafio, que trará consequências drásticas. O jogo desperta algo maligno – um demônio que força os amigos a compartilhar segredos sombrios e a confrontar seus medos mais profundos. A regra é simples, porém cruel: fale a verdade ou morra, faça o desafio ou morra, e se parar de jogar, também morre.

 

Mais conteúdo sobre:
cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.