Ciência explica a química de Hepburn e Tracy

Você sempre ouviu falar na química entre duplas, mas esta é inédita. Nunca houve, na tela, química maior que a entre Spencer Tracy e Katharine Hepburn. Isto os cinéfilos já sabiam, mas agora quem garante é a Real Academia de Química da Inglaterra. Tracy e Hepburn fizeram nove filmes juntos e levaram a química da tela para a vida (ou o contrário?). Nunca se casaram porque Tracy era católico e não admitia se separar da mulher, sobretudo porque tinham um filho deficiente. Katharine aceitou ser a outra, justamente ela que foi uma pré-feminista.Embora a química entre duas pessoas não possa ser testada em laboratório, a British Royal Society of Chemistry recorreu a seus especialistas para tentar explicar o que acontecia desde duplas lendárias, como Tracy e Hepburn, Fred Astaire e Ginger Rogers, Humphrey Bogart e Lauren Bacall, Richard Burton e Elizabeth Taylor, até os recentes Ben Stiller e Owen Wilson, de Starsky e Hutch. John Emsley, cujo nome está ligado à fórmula do Viagra, considera o elemento sexual importante nas duplas em geral, mas especialmente em Tracy e Hepburn: "Para a maioria, a noção de química pode ser diversa daquilo que se chama de atração sexual, mas de qualquer maneira a idéia de química relaciona-se à perfeita combinação de elementos. Perfumes, que são ativadores sexuais, são produtos químicos."Tracy e Hepburn deflagravam a faísca e parecia que iam entrar em combustão na tela, mesmo numa era de grande puritanismo como os anos 1940, quando fizeram os primeiros filmes juntos - A Mulher do Dia, O Fogo Sagrado, Sem Amor, Mar Verde, Sua Esposa e o Mundo e A Costela de Adão. A parceria atravessou os anos 1950 com A Mulher Absoluta e Amor Eletrônico e encerrou-se em 1967 - Tracy morreu logo após concluir Adivinhe Quem Vem para Jantar?.Em todas as duplas famosas do cinema, avaliam os doutores, um sempre possui qualidades que complementam o outro. Hepburn era fogosa, Tracy era sólido a ponto de parecer travado. Ela era elegante, ele não ligava a mínima para a aparência. Como sempre em se tratando de química, a entre as pessoas também resulta da combinação adequada de um coquetel de ingredientes. É o que ocorre com as grandes duplas e não tem a ver, necessariamente, com a qualidade de cada um. Laurence Olivier e Marilyn Monroe possuíam individuais admiráveis, mas a química entre os dois foi desastrosa em O Príncipe Encantado, disse o porta-voz da Royal Society.

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