Kimberly French/Paramount Pictures
Kimberly French/Paramount Pictures

'Cidade Perdida' é longa de ação com roteiro inteligente e elenco de peso

Química entre atores Sandra Bullock, Brad Pitt, Daniel Radcliffe e Channing Tatum é um perfeito antídoto para os dias difíceis

Lindsey Bahr, AP

21 de abril de 2022 | 05h00

Cidade Perdida é o tipo de filme charmoso, repleto de estrelas e com muita ação e aventura que faz o cinema parecer, para quem está de fora, uma atividade fácil de realizar. É difícil imaginar um mundo no qual você une Sandra Bullock e Channing Tatum como uma escritora e seu homem-objeto e o resultado não seja agradável. Coloque na mistura um pouco de Brad Pitt mandando ver sem derrubar uma gota de suor e uma pitada de Daniel Radcliffe como um herdeiro excêntrico e o resultado só pode ser um sucesso mais do que garantido, certo?

Mas se o carisma de grandes estrelas fosse suficiente para tornar um filme interessante, haveria um número muito maior de bons filmes no mundo. Por isso, Cidade Perdida, que estreia nesta quinta no Brasil, é uma criação tão especial. Claro, o filme depende de Bullock, Tatum e de todo o conjunto do início ao fim. Mas muito mais do que isso seria necessário para fazê-lo funcionar, o que de fato acontece. É o filme que Jungle Cruise queria desesperadamente ser – e não foi.

No caso de Cidade Perdida, dirigido pelos irmãos Aaron e Adam Nee, parece que tudo começou com um roteiro enxuto, inteligente e autoconsciente de tal forma que brinca com os absurdos de filmes de peixes fora da água e homenageia aquilo que amamos neles. E sem ser jamais sarcástico ou condescendente.

Como Loretta e Alan, Bullock e Tatum representam opostos, o cérebro e a beleza. Ela é uma escritora que encontrou sucesso escrevendo romances picantes, embora preferisse ser uma acadêmica. Ele é um labrador amarelo com um coração de ouro e um vocabulário de impropriedades. Ela o considera pouco mais do que um tanquinho ambulante, mas ele é fascinado por ela. E está mais do que ansioso para encenar uma tentativa de resgate quando ela é sequestrada.

Normalmente, ter quatro escritores (os irmãos Nees, Oren Uziel e Dana Fox) e uma história original (idealizada por Seth Gordon) em um projeto é um risco, sugerindo vários processos de reescrita e uma tentativa de agradar a todos. 

 Cinéfilos tendem a celebrar a visão individual de um criador e tratar colaborações como suspeitas. E, no entanto, Cidade Perdida parece ter sido o produto de trabalho em equipe, na tela e fora dela – talvez um retorno aos dias em que sugestões do estúdio eram uma coisa boa, capaz de melhorar um projeto.

Veja Loretta, que é contra a roupa que sua agente Beth escolheu para ela usar em um evento promocional de seu novo livro. É um macacão de lantejoulas roxas, decotado e apertado. Beth diz a ela para aceitar e parar de reclamar: ela só precisa usá-lo por duas horas. 

Na verdade, não será o caso, uma vez que ela será sequestrada pelo psicopata gentil Abigail Fairfax, vivido por Hadcliffe, e levada para uma ilha perdida, onde ele espera que ela o ajude a encontrar um artefato antigo. A roupa, que era muito apertada para o lançamento de um livro, não será mais prática na natureza, e seu inconveniente sempre retorna. Em outras palavras, nada em Cidade Perdida é uma piada descartável, mesmo um macacão de lantejoulas roxas. E Bullock e Tatum são puro ouro juntos. 

O único problema com Cidade Perdida é que sua primeira hora é tão forte, animada e engraçada que, quando chega ao clímax, o filme começa a perder força. Não é uma crítica à segunda parte, apenas o que acontece quando há tanto material interessante na primeira. 

Ainda assim, imagino que Cidade Perdida, como A Espiã Que Sabia de Menos, de alguns anos atrás, ficará ainda melhor a cada vez que assistirmos ao filme. Pode não ser um ótimo cinema no sentido tradicional, mas é muito divertido e um antídoto a muito do que anda por aí. TRADUÇÃO JOÃO LUIZ SAMPAIO

 

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