"Cidade Baixa" põe na tela o furacão Alice Braga

Outro dia, ela se invocou com a garota que a encarava num bar. Foi preciso que seu acompanhante lhe fizesse uma observação justa. "Ela reconheceu você." De onde? "Da tela do cinema, claro." Aos 22 anos, Alice Braga ainda não se acostumou com a celebridade que vem adquirindo rapidamente, desde que recebeu o prêmio de melhor atriz da Première Brasil, no Festival do Rio deste ano, por sua interpretação como Karina em Cidade Baixa. O filme de Sérgio Machado estréia hoje no País, menos no Sul, depois de arrebentar também na Mostra BR de Cinema. Não é um megalançamento. A estratégia prevê um número razoável de cópias, em torno de 30, mas nada muito grande. Se Cidade Baixa crescer no circuito será por demanda dos próprios espectadores e dos exibidores. Alice é filha e sobrinha de atrizes. A mãe, Ana Maria Braga, é homônima da apresentadora e ficou sendo só Ana Braga. A ´tia Soninha´, como Alice a chama, não é outra senão o furacão Sonia Braga, que, como Dona Flor e Solange (a Dama do Lotação), assolou o cinema brasileiro nos anos 1970, cravando os maiores recordes de público do cinema nacional até hoje. Sonia continua um mito, mas agora o furacão da família tem outro nome, o de Alice, o mesmo da heroína de Lewis Carroll.Alice Braga admite que se assustou quando o diretor Sérgio Machado lhe enviou o roteiro de Cidade Baixa. Ela estava nos EUA, participando do lançamento de Cidade de Deus. Ficou excitadíssima e, ao mesmo tempo, receosa de não dar conta do papel. A mãe foi das que a impulsionaram a assumir o desafio. Karina é uma prostituta da cidade baixa de Salvador. Vive um triângulo amoroso com os personagens de Lázaro Ramos e Wagner Moura. Tem cenas ousadas de nudez e de sexo. Não foi bem isso que intimidou Alice. "Essas coisas são conseqüência. O mais difícil era assimilar o despudor da Karina, a sua entrega, a sua disposição de ir fundo no que faz." Garota de classe média, criada no Alto de Pinheiros, Alice fez o segundo grau no Colégio Oswald de Andrade. Havia feito comerciais com Fernando Meirelles, que a chamou para um pequeno papel em Cidade de Deus. Foi treinada por Fátima Toledo. Em Cidade Baixa foi, de novo, preparada por Fátima."A Fatinha", como Alice a chama, "foi fundamental no processo. Ela me incentivava a abandonar a menina dentro de mim para que a mulher pudesse surgir." A mulher veio e é sensacional. Alice não é Karina, mas alguma coisa da personagem ficou com ela. "Essa coisa de ousar, de não ter medo, de ter fome de vida." Ela sente que, agora, não é mais só na arte - na vida, também, está deixando de ser menina. Adorou filmar na Cidade Baixa de Salvador, com seu registro social que torna mais complexo o que poderia ser só a história de um triângulo amoroso. Não poupa elogios ao diretor ("Sergião estava muito bem preparado. Sabia exatamente o filme que queria fazer") e aos colegas de elenco ("O Lázaro e o Wagner foram maravilhosos. Sabiam que eu era pouco mais que uma estreante e me deram todo apoio. Me protegeram e incentivaram"). Acaba de concluir uma pequena participação no filme americano da O2, aquele que Brendan Fraser veio fazer em São Paulo, Journey to the End of the Night. Vai fazer o próximo de Lina Chamie, a diretora de Tônica Dominante. Será Via Láctea, uma produção de baixo orçamento. Alice tem também seus desejos que agora deixam de ser secretos - "Gostaria muito de filmar com Beto Brant. Acho o cinema dele o máximo."

Agencia Estado,

04 de novembro de 2005 | 15h20

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