Ciclo repassa a imagem das metrópoles no cinema

Quem viu, no Theatro Municipal, em abril, a nova versão restaurada do clássico Metrópolis, de Fritz Lang, deveria rever o filme hoje no Centro Cultural Banco do Brasil. O CCBB inaugura, para convidados, a mostra CineMetropolitano, que prossegue, aberta para o público, de amanhã até 2 de junho. Metrópolis passa agora com acompanhamento musical ao vivo, do pianista Carlos Eduardo Pereira, sem a orquestra que executou a partitura sinfônica de Bernd Schultheis (e que tanto contribuiu para o impacto da exibição no Municipal). Lang foi chamado de visionário, em 1926, quando propôs sua visão da cidade do futuro. A utopia langiana tornou-se uma referência obrigatória para diretores como Ridley Scott, quando fez Blade Runner, o Caçador de Andróides, ou Luc Besson, em O Quinto Elemento.Não poderia ser esquecida por Bruno Fischi, o curador da Mostra CineMetropolitano, um projeto cultural do Instituto Goethe com a 25.ª Bienal de São Paulo, patrocinado pelo CCBB. Como o tema da bienal de artes são as iconografias urbanas, Fischi teve a idéia de montar um ciclo mostrando como o cinema trata o espaço humano e geográfico da urbe. São 11 metrópoles representadas, mais a 12.ª Cidade, num total de 32 filmes que serão exibidos, em película ou vídeo (Beta e DVD), ao longo de três semanas.Há títulos conhecidos e de importância indiscutível, a começar por Metrópolis. Concentram-se principalmente nos módulos São Paulo e 12.ª Cidade, que antecipa a cidade do futuro. Fogo e Paixão, de Isay Weinfeld e Márcio Kogan, São Paulo, Sinfonia e Cacofonia, de Jean-Claude Bernardet, com a partitura irritante, para dizer-se o mínimo, de Lívio Tragtenberg, e Urbânia, de Flávio Federico, colocarão Sampa na tela do CCBB. Metrópolis, Alphaville, de Jean-Luc Godard, que reestreou nos cinemas na sexta, em cópia nova, A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, e Blade Runner ilustram a 12.ª Cidade. E não se pode esquecer de Tóquio, revelada por Era Uma Vez em Tóquio, do sublime Yasujiro Ozu, e Tokyo-Ga, o tributo de Wim Wenders a Ozu. As demais cidades retratadas - Berlim, Caracas, Joannesburgo, Londres, Moscou, Nova York etc - o são por meio de obras inéditas. Berlin Babylon, de Hubert Siegert, Macu, La Mujer del Policía, de Solveig Hoogesteijn, Soweto, de Kevin Harris, Love Is the Devil, de John Maybury, que traça um perfil impiedoso de Francis Bacon, Moskva, de Alexander Zeldovich, e Manhattan by Numbers, de Amir Naden, são apenas alguns dos títulos referenciais que você precisa ver para ficar por dentro das novas iconografias metropolitanas.CineMetropolitano. Hoje, às 19 horas, Metrópolis, de Fritz Lang, Alem/27; amanhã, às 14 horas, quarta, às 16 horas, Berlim Babilônia, de Hubertus Siegert, Alem/96; amanhã, às 16 horas, quinta, às 14 horas, Belim Fica na Alemanha, de Hannes Stöhr, Alem/2000; amanhã, às 18 horas, quarta, às 14 horas, 80.000 Disparos, de Manfred Walther, Alem/2001, e A Esfera de Koening ? O Escritor Alemão Fritz Koenig no Ground Zero, de Percy Adlon, EUA/2001. Quarta, às 18 horas, quinta, às 16 horas, Caracas: Crônica do Século 20, de Carlos Oteyza, Ven/99. Quinta, às 18 horas, sexta, às 14h, Macu, a Mulher do Policial, de Solveig Hoogesteijn, Ven/86. Sexta, às 16h, sábado, às 14h, Cidade de Ouro, de Suha Arin, Tur/96, e Comitê de Bairro, de Tongdao Zhang, Chi/2001; sexta, às 18h, sábado, às 16h, Istambul sob Minhas Asas, de Musatafa Altioklar, Tur/95. Sábado, às 18h, domingo, às 16h, Soweto, de Kewin Harris, África do Sul/99. Domingo, às 14h, Histórias de Gângster, de Oliver Schmitz, África do Sul-Alem-Fr/2001; domingo, às 18h, Londres, de Patrick Keiller, Ing/93. De terça a domingo. Cinepasse (válido para todas as sessões): R$ 8,00 e R$ 4,00 (meia entrada). Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, tel. 3113-3651. Até 2/6.

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