Ciclo homenageia 100 anos de Buñuel

Embora o ciclo Buñuel Mexicano, que começa segunda-feira no Centro Cultural São Paulo, não traga toda a produção do cineasta no México traz obras que os críticos não hesitam em colocar entre as melhores da carreira do artista. Basta citar Los Olvidados, que abre o evento para convidados e terá novas sessões. Outra das obras programadas, El, formava com Susana ou El Demonio de la Carne, entre as obras preferidas pelo próprio mestre surrealista. E não se deve esquecer Ensayo de un Crimenn e Nazarin, embora não exista, entre os demais filmes, nem um só que não mereça toda a atenção do cinéfilo.Há um até que ele só escreveu - Si Usted no Puede, Yo Sí, de Julián Soler. O ciclo é uma homenagem ao centenário do cineasta, nascido em Calanda, em 1900. Você não pode perder esse Buñuel mexicano. Durante anos, os críticos estimularam a versão errônea de que a obra do artista no México careceria de importância. Só um ou outro filme, Los Olvidados, Nazarin e El Angel Exterminador, seriam válidos. Surgiu até um livro, Um Jato na Contramão, para destacar a riqueza e complexidade dessas obras que eram consideradas indignas - melodramas banais, musicais vulgares. Na verdade, Buñuel nunca deixou de fazer os filmes como queria. Na pior das hipóteses, subvertia códigos narrativos tradicionais.Vale destacar as circunstâncias que levaram Buñuel ao México. Ele teve problemas com o governo espanhol por causa do documentário Las Hurdes. Quando aderiu aos republicanos, foi enviado ao estrangeiro como supervisor de filmes e cinejornais sobre a Guerra Civil na Espanha. Quando cessaram as hostilidades estava nos EUA, onde, para sobreviver, supervisionava as versões castelhanas de documentários exibidos pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna de Nova York. Com a situação econômica cada vez mais precária, foi parar no México, contratado pelo produtor Oscar Dancigers, para rodar o musical Gran Casino, com Libertad Lamarque, e a comédia El Gran Calavera. DivulgaçãoCena de O Discreto Charme da BurguesiaO filme Los Olvidados, premiado em Cannes, marcou o retorno de Buñuel à comunidade cinematográfica mundial. Esse retrato da infância carente soma preocupações sociais e existenciais ao surrealismo que marcou o começo do diretor, nos clássicos Un Chien Andalou e L´Age d´Or, e o acompanhou até a derradeira obra-prima. O curioso é que foi descoberto, há poucos anos, o final alternativo que Buñuel rodou para Los Olvidados, caso o filme tivesse problemas com a censura, por seu enfoque da questão social. Esse outro desfecho está sendo uma das atrações da atual Jornada de Cinema da Bahia. A versão que passa no Centro Comercial traz o final já conhecido.El, com Arturo de Cordova, é tão impressionante como análise de um caso de ciúme que o próprio Lacan gostava de exibir o filme a seus alunos. Nazarin baseia-se no romance de Pérez Galdós e é uma das obras mais demolidoras do diretor. Ensayo de un Crimen conta a história de um esteta que tem prazer na sua vida criminosa. E até filmes aparentemente menores como Subida al Cielo e La Ilusion Viaja en Tranvia, reservam surpresas. O segundo seria só uma comédia picaresca se não fosse o toque de Buñuel, enlaçando seus temas favoritos - os absurdos do cotidiano, a ironia com o falso moralismo, a vocação libertária e o anticlericalismo.Luis Buñuel Mexicano. Terça, às 15 horas, El; às 18 horas, Subida al Cielo; às 20 horas, Los Olvidados. Quarta, às 15 horas, Si Usted no Puede, Yo Sí; às 18 horas, El; às 20 horas, La Ilusion Viaja en Tranvia. Quinta, às 15 horas, Subida al Cielo; às 18 horas, Si Usted no Puede, Yo Sí; às 20 horas, Ensaio de un Crimen. Sexta, às 15 horas, Ensaio de un Crimen; às 18 horas, El; às 20 horas, Nazarin. Sábado, às 15 horas, Nazarin; às 18 horas, La Ilusion Viaja en Tranvia; às 20 horas, Los Olvidados. Grátis. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 30/9

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