Ciclo de filmes ajuda a entender obra de Sganzerla

O curta Documentário é a novidade da mostra Rogério Sganzerla - Por um Cinema sem Limites, que vai de amanhã ao dia 26 no Cinesesc. Pouca gente viu esse filme inaugural da carreira de um dos autores mais inventivos do Brasil. Nele, o jovem Rogério traz a história de dois amigos que procuram um filme para ver, mas, como não se contentam com pouco, acabam desistindo. A retrospectiva apresentará essa obra pouco conhecida, em cópia nova e restaurada. Além disso, para acompanhar a trajetória de Sganzerla, será apresentado Elogio da Luz, documentário assinado por Joel Pizzini. E, claro, haverá alguns dos longas conhecidos de Rogério, morto precocemente em janeiro deste ano, com 57 anos: Bandido da Luz Vermelha, Copacabana, Mon Amour, com cópia nova, A Mulher de Todos. E mais: Sem Essa, Aranha, Nem Tudo É Verdade e O Abismu. Além desses longas, será também apresentado o curta Comics, que o diretor fez em parceria com o especialista em quadrinhos Álvaro de Moya. O Cinesesc lança catálogo com textos sobre o cineasta escritos por Ismail Xavier, Julio Bressane, Helena Ignez, Inácio Araújo e Catherine Benamou. O argumento de Documentário talvez já defina o caminho que Sganzerla tomaria no cinema. Ele começa pela crítica, pela reflexão sobre os filmes dos outros. E começa como crítico exigente, que não se satisfaz com pouco, sempre correndo o risco de não encontrar nada que o agrade plenamente. O Bandido da Luz Vermelha, seu título mais famoso, aquele que ficará para a história, usa um estilo debochado e desbocado, cheio de citações radiofônicas e cinematográficas, para falar de um momento caótico num país do terceiro mundo chamado Brasil. Há, claro, a referência a Orson Welles e ao cinema francês da nouvelle vague. Esse artista se define por isso - pelo conjunto de influências bem assimiladas, que ele usa e aclimata a si mesmo e à sua circunstância. Mas o que preocupava Rogério talvez não fosse tanto essa temática quanto seu meio de expressão. Procurou inovar, fazer diferente, inventar. Errou? Sim, com mais freqüência do que acertou. Mas pelo menos não caiu na mesmice, na rotina. E a vontade de Sganzerla era levar o cinema aos seus limites, ampliar o alcance da sua experiência e não contentar-se com o já estabelecido e consagrado.Rogério Sganzerla - Por um Cinema sem Limites - Sábado, 15h, Elogio da Luz, documentário de Joel Pizzini e Paloma Rocha; sábado e domingo, 17h, Copacabana, Mon Amour, de Rogério Sganzerla; sábado, 19h, A Mulher de Todos, de Sganzerla; sábado, 21h, O Bandido da Luz Vermelha, de Sganzerla. Domingo, 19h, Nem Tudo É Verdade, de Sganzerla; domingo, 21h, O Abismu, de Sganzerla. Cinesesc (326 lug.). Rua Augusta, 2.075, Cerqueria César, 3064-1668. Grátis. Até 26/8

Agencia Estado,

20 de agosto de 2004 | 14h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.