Ciclo de cinema e debates revêem obra de Nietzsche

O centenário de morte do pensador alemão é o gancho do seminário Nietzsche e a Modernidade, no Centro Cultural do Banco do Brasil, de 23 a 25 de agosto. Uma coleção de jóias do cinema começou a ser exibida nesta terça-feira na sala de vídeo, como prévia das discussões. Três filmes por dia, até 17 deste mês, tentarão dar conta dos principais conceitos da filosofia de Nietzsche. A entrada é gratuita. Será uma chance para um mergulho em obras essenciais da história do cinema, como O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel, Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman e O Anjo Azul, de Josef Von Sternberg. Dois vídeos de apresentações musicais encerram o ciclo apontando a musicalidade da filosofia de Nietzsche: Tristão e Isolda, de Richard Wagner, e Assim Falou Zarathustra, de Richard Strauss.Segundo o curador do evento, Guilherme Castelo Branco, a escolha dos palestrantes foi feita respeitando o gosto de Nietzsche pela liberdade de criação. "Assim conseguimos juntar estilos diversos. Temos o José Celso Martinez Corrêa, que é um típico allegro, e a Fayga Ostrower, que é bem serena", diz. Outros nomes de peso comporão as mesas, como os filósofos Carlos Henrique Escobar e Emmanuel Carneiro Leão. O leque de temas é amplo: teatro, ciências humanas, música, cosmologia, artes plásticas, biologia, política, religião e filosofia. "Nietzsche se preocupou com quase tudo. É preciso não limitá-lo como aquele que só teria combatido a religião", diz Guilherme, que é professor de filosofia da UFRJ.Friedrich Nietzsche é um dos autores mais lidos no mundo. Esta popularidade pode ser devida ao fato de Nietzsche praticar um realismo que eleva ou destrói o homem. "Nada há de mais concreto do que dizer que o mundo de um homem triste será triste, e o mundo de um homem forte será forte", exalta-se o curador Guilherme, que recomenda, para primeira leitura do filósofo, O Nascimento da Tragédia.Nietzsche enlouqueceu em torno dos 50 anos. Para a artista plástica Fayga Ostrower, uma das palestrantes, se vivesse hoje o filósofo teria perdido a razão bem antes. "Nietzsche é um artista que faz filosofia, e por isso acho que não sobreviveria hoje, pois o mundo é muito difícil para pessoas sensíveis e inteligentes", diz. Já Guilherme Castelo Branco opina que a loucura de Nietzsche foi motivada pela sífilis. Mesmo assim, Nietzsche parece ter sido uma pessoa um pouco extravagante. Entre outros episódios, conta-se que ele passava o verão nos Alpes e o inverno em Veneza, no movimento contrário ao dos turistas. "Ele não gostava muito do comportamento da burguesia européia", lembra Guilherme. Nietzsche e a Modernidade - Centro Cultural do Banco do Brasil, Rua 1º de Março, 66, auditório do 3º andar. Inscrição a R$30, para estudantes R$15.

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