Chris Klein estréia como protagonista

Chris Klein foi descoberto aos 19 anos, em plena sala de aula. Mas muito antes de o diretor Alexander Payne visitar o seu colégio em Nebraska, escalando-o para estrear nas telas na comédia Eleição, o jovem já se imaginava nos sets de filmagem. ?Desde criança, eu faço caretas no espelho e ensaio o meu discurso de agradecimento no Oscar??, brinca Klein, que desponta em Hollywood graças ao apelo teen.Após atuar nos dois filmes da franquia adolescente American Pie e contracenar com Mel Gibson em Fomos Heróis, Klein chega às telas no primeiro papel de protagonista de sua carreira. Em Rollerball, que entra em cartaz no Brasil nesta sexta-feira, o ator interpreta astro de um esporte futurístico mortal. Sobre patins, skate e motocicleta, Jonathan Cross, seu personagem, arrisca a vida em embates que são transmitidos ao vivo para todo o mundo. E quanto mais sangue, maior o índice de audiência do programa.?Ninguém conseguirá dormir na poltrona??, disse o ator, de 23 anos, referindo-se ao ritmo alucinante dessa aventura dirigida por John McTiernan (mais conhecido por Duro de Matar e O Último Grande Herói). Trata-se de uma refilmagem de Rollerball ? Os Gladiadores do Futuro, estrelado por James Caan em 1975. ?Ainda que a história seja a mesma, a abordagem do remake é completamente diferente. Nosso alvo é o público adolescente??, contou Klein, em entrevista à Agência Estado, concedida em Hamburgo, na Alemanha. Leia, a seguir, os principais trechos.Agência Estado - Até que ponto você dispensou o dublês, arriscando-se nas cenas de ação?Chris Klein - Como o diretor John McTiernan fez questão de me manter longe do perigo, muitas vezes tive de deixar o set com a chegada do dublê. Eu queria fazer a sequência de abertura, por exemplo, em que meu personagem faz diabruras com um carrinho de rolemã nas ladeiras de San Francisco. Mas McTiernan não deixou (risos). Eu teria me divertido muito. Ele só permitiu que eu desse alguns saltos, com skate ou patins, colocando vários colchões no chão para suavizar a minha queda. Você me vê subindo, mas, ao chegar no chão, o personagem só é visto de costas, quando já não sou eu.Precisou fazer algum teste mais físico para conseguir o papel?Não. Mas, como eu só praticava surfe, tive de aprender a me virar nos outros esportes radicais. Treinei intensamente durante dois meses para aprender manobras radicais com motocicleta, skate e patins.Buscou inspiração no filme original para compor o personagem?Ao aceitar o papel, sabia que se tratava de um remake. Mas, após conversar com John McTiernan, decidi não ver o filme para não me deixar influenciar. O próprio McTiernan brincou, dizendo: ?Nós não estamos mais em 1975 e eu não sou o diretor Norman Jewison. Portanto vamos arrebentar do nosso jeito!??. E foi o que nós tentamos fazer. Mesmo sem ver o filme, ficou intimidado ao assumir papel que foi de James Caan?Não vi o filme justamente para não pensar nisso. Como poderia estar à altura de um astro do calibre de Caan? Mas confesso que contracenar com Jean Reno (o ator francês que vive o dono do programa esportivo) me deixou intimidado. Pelo menos, a princípio. O ator tem nada menos que 50 longas-metragens no currículo.Você é aventureiro como o seu personagem?Eu gosto de uma aventura. Mas o que mais me aproximou de Jonathan foi a sua faceta inquieta. Eu também sou assim. Estou sempre em busca de algo novo, de uma nova inspiração para a minha vida. Acho que todos nós em algum momento saímos à procura de algo, sem saber exatamente o que é. Jonathan encontra a resposta nos esportes, fazendo com que ele corra riscos não pelo dinheiro envolvido, mas pelo amor ao esporte.É fã de filmes de ação?Eu gosto do gênero, mesmo sabendo que ele é visto com reservas pelos críticos e mesmo pela Academia de Hollywood. Eu os considero belíssimos esteticamente. Não sei como alguém apaixonado por cinema pode torcer o nariz quando o diretor John Woo filma aquelas acrobacias com motocicletas, como fez com Tom Cruise em Missão Impossível 2. Eu fiquei embasbacado na poltrona do cinema.Como se sente ao ganhar o primeiro papel de protagonista?Ainda acho um milagre eu ser convidado para fazer filmes (risos). Principalmente quando penso em quanta gente gostaria de estar no meu lugar. Basicamente eu sou pago para poder me comportar mal, me divertir. Por isso, tento aproveitar a chance que tive e fazer sempre o melhor.Qual o maior desafio para um jovem ator em Hollywood, considerando que a indústria está sempre em busca de novos rostos bonitos? Como estou no showbiz há apenas cinco anos, espero continuar atuando. Por isso mesmo, prefiro não viver em Los Angeles. Garanto que muitos jovens atores que moram lá não têm trabalhado tanto quanto eu. Se você for bom, acho que os diretores e produtores vão te buscar onde estiver. Não é preciso estar à disposição em Hollywood, onde imperam os egos inflados, os peitos siliconados e as conversas superficiais.

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