AFP PHOTO / TIZIANA FABI
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China precisa de mais educação sexual, diz diretora Vivian Qu em Veneza

Seu novo filme, 'Angels Wear White', se passa em uma cidade à beira-mar onde duas garotas são violentadas por um homem de meia idade em um motel

Reuters

08 de setembro de 2017 | 17h55

VENEZA - Vivian Qu espera que seu novo filme, Angels Wear White (“Jia Nian Hua”) provoque uma discussão sobre educação sexual e proteção infantil em seu país, disse a diretora chinesa no Festival Internacional de Cinema de Veneza nesta sexta-feira, 8.

Qu, cujo primeiro filme autoral, Rua Secreta (“Shuiyin jie”), estreou sob aclamação da crítica no festival em 2013, voltou à cidade italiana para apresentar seu projeto mais recente.

“Estamos tentando dizer aos educadores que é importante (educar sobre sexo) em uma idade tenra porque as crianças precisam aprender a se proteger porque os pais não estão necessariamente sempre por perto”, disse Qu à Reuters em uma entrevista.

Angels Wear White se passa em uma cidade à beira-mar onde duas garotas são violentadas por um homem de meia idade em um motel.

A única testemunha é a recepcionista Mia, interpretada por Wen Qi, só alguns anos mais velha do que as meninas. Quando a notícia sobre a agressão se espalha, os gerentes do hotel tentam encobrir as provas.

Mia não diz nada por medo de perder o emprego, e como tem poucos adultos aos quais recorrer tanto ela quanto Wen têm que encontrar sua própria solução para seus problemas.

Qu disse ter se inspirado na vida real e que lhe dói pensar que a justiça muitas vezes não é feita ou chega tarde demais para as vítimas.

Fazer um filme sobre um tema tão delicado com uma atriz jovem e amadora trouxe seus próprios desafios, acrescentou ela.

A diretora passou dois meses treinando sua estrela, Zhou Meijun, durante os finais de semana, quando a garota não estava na escola. Zhou não estava a par da trama completa e só recebia as cenas aos poucos.

“Ela não entendia, era muito jovem e muito pura. Por isso só lhe dávamos uma cena de cada vez”, contou Qu.

“Nós nos concentramos mais em seu relacionamento com seus pais porque o filme também era assim e porque estas são as coisas que ela conseguia entender”.

Qu é a única mulher entre os diretores que participam da mostra competitiva do festival deste ano e, embora reconheça as dificuldades que as mulheres cineastas enfrentam, disse acreditar que é mais importante incentivar as mulheres a entrarem na indústria do que optar por cotas.

“Qualquer cineasta séria não gostaria de ser selecionada só porque é mulher, queremos ser selecionadas como boas cineastas, fazemos filmes igualmente bons”, afirmou.

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