China esnoba sucesso mundial de Ang Lee

O diretor taiwanês Ang Lee comemora o sucesso do seu último filme em todo o mundo, menos em casa. O Tigre e o Dragão, considerado o longa-metragem em língua estrangeira mais bem-sucedido da história, já atingiu a marca de US$ 81 milhões nas bilheterias do planeta, acumula dez indicações para o Oscar, mas não fez a cabeça dos chineses. "Não tem muita ação, é entediante", opina Paul Lau, cidadão chinês de 30 anos, que preferiu assistir ao novo filme de Jackie Chan. "Assistir a pessoas correndo sobre tetos e árvores pode parecer novo para os americanos, mas nós já estamos cansados de ver isso", diz o aposentado Seeto Ching.Em Hong Kong, local onde nasceu a arte marcial, a produção arrecadou a simplória quantia de US$ 2 milhões, o que a deixa bem distante dos números alcançados por Hollywood em produções populares como Missão Impossível 2. Em toda a China, onde a chegada do filme demorou três meses, a bilheteria foi de apenas US$ 1,3 milhão. Em Xangai e Pequim as salas que exibiam o filme estavam praticamente vazias o tempo todo.Os produtores de O Tigre e o Dragão notaram que, apesar do visível fracasso do filme na China, a repercussão no resto da Ásia foi bastante diferente. Em países como Tailândia, Cingapura, Taiwan e Coréia, a produção teve boa receptividade. Para James Schamus, roteirista e produtor executivo do filme, essa diferença se deve às fitas piratas lançadas na China antes do original, que acabaram saturando o mercado e o público. "Alguém fez fortuna à custa desse filme, mas nem um tostão desse dinheiro foi para os produtores", diz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.