China critica documentário japonês que negará massacre

A China condenou na quinta-feira um grupo japonês que pretende realizar um documentário, que recebeu o título provisório de A Verdade Sobre Nanquim, negando que soldados japoneses tenham massacrado civis e prisioneiros de guerra em 1937 em Nanquim.A polêmica ocorre num momento em que os dois governos, tradicionalmente adversários, buscam uma aproximação."Também vimos alguns relatos. Acho que há uma evidência irrefutável do massacre de Nanquim, e a sociedade internacional há muito tempo chegou a uma conclusão a respeito", disse Jiang Yu porta-voz da chancelaria chinesa, em entrevista coletiva."(Se) o Japão assumir uma atitude correta e responsável para lidar adequadamente com problemas históricos, vai conquistar a confiança de seus vizinhos asiáticos e da comunidade global", disse ela.Mas Jiang também anunciou que começou na quinta-feira mais uma rodada de um diálogo estratégico entre vice-chanceleres de Pequim e Tóquio, que vai durar até sábado. "Tanto a China quanto o Japão dedicam grande importância ao diálogo, e ambos os lados vão trocar opiniões sobre as relações mútuas e questões que preocupam a ambos os lados", disse Jiang. "O diálogo estratégico é um canal importante para que os dois lados discutam frente a frente como melhorar e desenvolver relações mútuas", acrescentou, sem dar detalhes dos temas tratados.Mas as reuniões podem ser ofuscadas pela irritação chinesa com o documentário, que é apoiado por políticos nacionalistas, como o governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, segundo o grupo japonês.ConflitoDepois da 2.ª Guerra Mundial, um tribunal de crimes de guerra formado pelos Aliados estimou que cerca de 142 mil civis e prisioneiros de guerra tenham sido mortos quando os japoneses capturaram a cidade de Nanquim (então capital da China nacionalista, no leste da parte continental do país).A China estima que tenha havido 300 mil mortos, entre homens, mulheres e crianças.Depois da guerra, as relações bilaterais nunca se normalizaram plenamente, devido às queixas de Pequim de que Tóquio se recusa a admitir atrocidades cometidas pelos seus soldados durante o período de ocupação da China (1931-45).Os chineses examinam atentamente qualquer novo livro didático japonês em busca de eventuais trechos que atenuem as responsabilidades do Japão.

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