"Chicago" abre caminho rumo ao Oscar

Outra campanha publicitária do estúdioMiramax começa a dar resultados e abrir caminho para o Oscar. Omusical Chicago dá sinais de favoritismo à estatueta demelhor filme na premiação da Academia de Artes e CiênciasCinematográficas de Hollywood, em 23 de março. A produção, queconcorre a oito Globos de Ouro no domingo, têm chamado atençãodo público em seu lançamento restrito a poucas cidades e salasde cinema. A estratégia é criar o boca-a-boca que pode levar ofilme à consagração daqui a pouco mais de dois meses. Asindicações ao Oscar saem em 11 de fevereiro.Chicago está em cartaz em 362 cinemas dos EstadosUnidos. É pouco para o mercado exibidor americano. Em Nova York, o filme era exibido até a semana passada em apenas um cinema, o enorme Ziegfeld, em Manhattan, que tem capacidade para quase 1,2 mil pessoas. Todas as sessões lotam todos os dias e é preciso comprar o ingresso com antecedência.Esta é a estratégia do estúdio: assistir a Chicago deve seruma experiência feita em cinemas lotados, comdireito a aplausos para todos os números musicais e durante oscréditos finais. Por enquanto, o plano deu certo.O filme estrelado por Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones,Richard Gere e Queen Latifah tem feito muito sucesso em seulançamento restrito. De acordo com uma pesquisa da empresa ReelSource, 92% dos espectadores com mais de 35 anos pretendemrecomendar o filme a parentes e amigos. Para o público maisjovem, que a Miramax tenta atrair a todo custo, o número sobepara 96,5%. O mesmo tipo de acolhida tem ocorrido com um públicoainda mais exigente: os votantes do Oscar. Sessões especiais dofilme têm rendido o mesmo tipo de entusiasmo, de acordo com ojornal USA Today.A idéia é manter o filme "quente" atésaírem as indicações ao prêmio e a eventual consagração naprincipal festa de Hollywood. A bilheteria alta seria umaconseqüência inevitável, até para uma produção que não tem apelopara o público jovem, maior responsável pelo faturamento daterra do cinema. Chicago pega carona no sucesso no anopassado de Moulin Rouge - Amor em Vermelho, mas a versãopara as telas do clássico de Bob Fosse é um musical tradicional.Ainda assim, é tão ou até mais espetacular e cheio de energia doque suas várias montagens nas últimas décadas.Em 17 dias, o filme já fez cerca de US$ 17 milhões, com umamédia muito alta de faturamento por tela de cinema. A estratégiada Miramax para a estréia em poucas salas de cinema e oboca-a-boca positivo funcionou em filmes como O PacienteInglês, vencedor do Oscar em 1997, e Chocolate, indicado aoprêmio em 2001. No dia 24, o filme passa a ser exibido em 800cinemas de 200 cidades. Para atrair o público nas próximassemanas, o estúdio vai fazer várias campanhas de marketingdiferentes. Os comerciais destinados ao público jovem, porexemplo, começam a ir ao ar apenas em fevereiro.A trilha sonora da fita também é destinada aos jovens. Cançõesde rap que não estão no filme foram colocadas no CD, como umaversão de Cellblock Tango. As participações das cantoras Myae Queen Latifah no elenco também são uma estratégia para atrairum tipo de público que nunca assistiu a um musical. O diretorRob Marshall diz, no entanto, que atingir um público variado nãoestava em sua cabeça quando ele fez o filme. Se Chicagolevar o Oscar de melhor filme, vai ser a primeira vez que ummusical é premiado desde Oliver!, em 1968. O filme estréiano Brasil no mês que vem.

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2003 | 12h07

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