Chéreau faz da doença uma metáfora em "Irmãos"

Há dois anos, no Festival de Berlim, o cineasta Patrice Chéreau disse que seu filme Irmãos, que estréia hoje no Brasil, só poderia ter sido feito para TV. "Não procurei porque sabia que não encontraria produtores para cinema; é uma história não comercial", explicou. Ele trabalha com uma doença que afeta a imunidade das pessoas, mas diz que nunca considerou a possibilidade de fazer dessa doença a aids. "Seria obsceno, para alguém, como eu, que seguiu o processo de morte de tantos amigos queridos." Interessa-lhe a doença como metáfora. E falar de amor. "Independentemente de serem histórias de homens ou mulheres, de pares homo ou heterossexuais ou até de irmãos, o amor é um sentimento universal." A relação familiar é outro interesse. "Há mais rivalidade no interior das famílias do que somos forçados a admitir." Ele começou Irmãos sem saber direito o que queria. Sabia o que não queria - planos rápidos, por exemplo. O filme saiu mais lento, com planos de longa duração. Por momentos, parece um documentário sobre a vida hospitalar. É por isso que não tem música (exceto a canção Sleep, na voz de Marianne Faithfull). "Se colocasse música, estaria investindo no patetismo. E como justificar? Mostrando as enfermeiras e os médicos tocando violino? O filme fica mais contundente desta maneira, mais seco e objetivo."

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