'Chega de Saudade' destaca nostalgia de bailes antigos

Dirigido por Laís Bodanzky, filme se desenrola em um salão que toca todos os ritmos dançáveis

Neusa Barbosa, da Reuters, REUTERS

08 de março de 2020 | 14h20

A diretora paulista Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) aposta no charme nostálgico dos bailes à moda antiga em seu segundo filme, Chega de Saudade, que estréia em circuito nacional nesta sexta-feira, 21.  Veja também:Trailer de 'Chega de Saudade'  Ouça trecho de 'Você Não Vale Nada'  Vencedor de três prêmios no Festival de Brasília 2007, Chega de Saudade usa uma locação real, o clube União Fraterna, no bairro paulistano da Lapa, como cenário de sua história. Ali, Laís Bodanzky monta o espaço vital em que se movem diversos personagens, como o velho casal Alice e Álvaro (Tônia Carrero e Leonardo Villar), cheio de mágoas, mas também de ternura, e a jovem Bel (Maria Flor) que se entusiasma com a lábia do malandro de salão Eudes (Stepan Nercessian), para desespero de Marquinhos (Paulo Vilhena), o namorado ciumento dela. Há também a madura e sensual Elza (Betty Faria), uma solitária aflita que ama um homem casado, e o garçom Gilson (Marcos Cesana), que tudo vê e acode como um anjo da guarda sempre em missão. Todas essas histórias desenrolam-se ao longo de uma única noite, na qual se tocam todos os ritmos dançáveis, do samba ao tango. Em cena, estão os cantores Elza Soares e Marku Ribas. Para o sucesso do projeto, recorreu-se ao produtor musical BiD, pesquisador de música brasileira antiga e nova. Os atores tiveram preparação com Sérgio Penna. A coreografia ficou a cargo do bailarino J.C.Violla. Raras vezes se vê tamanha e tão sincera exibição das rugas e marcas de expressão de atores maduros, revertendo o padrão dominante na publicidade, sempre voltada à perfeição de jovens modelos. A câmera do filme (mais um belo trabalho de fotografia de Walter Carvalho) procura, ao contrário, a verdade das pessoas comuns, para quem o tempo passa sem apelação e quase sempre sem a possibilidade do recurso às plásticas. Pelo menos no Festival de Brasília, a receita deu muito certo. Ao final da sessão inaugural do filme, no Cine Brasília, em novembro, vários espectadores dançavam animadamente no final da sessão.

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