IAN LANGSDON | EFE
IAN LANGSDON | EFE

Chega a vez dos brasileiros no Festival de Cannes

Nesta segunda-feira, 16, Eryk Rocha mostra ‘Cinema Novo’; terça, 17, Kleber Mendonça Filho também devolve o Brasil à competição

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 04h00

CANNES - E, nesta segunda-feira, 16, o 69.º Festival de Cannes chega exatamente à metade. O sexto dia traz a primeira participação importante do Brasil. Eryk Rocha mostra seu documentário Cinema Novo. Amanhã, terça, 17, Kleber Mendonça Filho também devolve o Brasil à competição, oito anos depois de Linha de Passe, de Walter Salles. Aquarius, com Sonia Braga, está sendo um dos filmes mais aguardados desta edição, e não apenas por parte da imprensa brasileira presente na Croisette. A revista Cahiers du Cinéma colocou o filme de Kleber com o da alemã Maren Ade, outra estreante em Cannes, entre os mais esperados ano.

Só para sua informação – o filme de Maren, Toni Erdmann, tem até agora a melhor cotação no quadro de Le Film Français, que edita uma revista diária durante o festival. Toni Erdmann conquistou seis Palmas de Ouro – a cotação máxima. O filme é sobre essa mulher que busca triunfar no mundo corporativo. Seu pai, que a embaraça diante de colegas e chefes, cria a persona do título para que tenha um choque de realidade e possa se transformar. Digamos que Toni Erdmann não é tudo isso que sua cotação em Palmas pode sugerir. Pode ser uma questão geracional, mas o desfecho – quando um ‘gorila’ (vocês vão entender quando virem) invade a narrativa –, que é o grande achado do filme para seus admiradores, é umas cópias deslavadas de Morgan/As Coisas Deliciosas do Amor, de Karel Reisz, com Vanessa Redgrave, nos anos 1960.

Comparativamente, havia gente se perguntando ontem o que um filme como Mal de Pierres, de Nicole Garcia, faz na competição? Ali onde Toni Erdmann é ‘transgressor’, Mal de Pierres é romanesco, até novelão, por sua narrativa. Certo? Não exatamente. Nicole Garcia fez um filme sobre outra mulher que também precisa tomar um choque de realidade. Marion Cotillard é louca – de desejo reprimido. Ela não é ‘raisonable’, naquele sentido de ‘razoável’ (racional) que também se atribui a Emmanuelle Riva no poderoso Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais. Marion vive num mundo exaltado de fantasia que também precisa ruir. Nicole está filmando melhor, mas esse tipo de classicismo não é o que se espera em Cannes. 

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