Suzanna Tierrie/Divulagação
Suzanna Tierrie/Divulagação

‘Chacrinha’, 'Museu' e 'Millennium' entre as estreias de cinema da semana

Chegam ainda aos cinemas, 'Todas as canções de amor', além de uma série de documentários; veja os destaques entre as estreias e os trailers dos filmes

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2018 | 06h00

Entre os destaques das estreias de cinema da semana estão filmes como Chacrinha, Museu e Millenium - A garota na teia de aranha. Confira as críticas e os trailers dos filmes.

BIOGRAFIA

‘Chacrinha’, os bastidores que criaram a lenda

Chacrinha – O velho guerreiro (Brasil / 2018, 100 min.) Dir. de Andrucha Waddington , com Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni

Foi Fernanda Montenegro, quando Andrucha Waddington lhe disse que não estava conseguindo o ator para fazer Chacrinha – O Musical, quem soprou no ouvido do genro. “Meu filho, tem de ser Stepan.” Convidado, Stepan Nercessian retrucou que não sabia cantar nem dançar, mas isso nunca foi um empecilho. Fez Chacrinha tão lindamente, apagando-se no personagem, que o filho do biografado lhe confessou – “Tenho ido ao teatro todo dia, mas não para ver o musical. Para reencontrar meu pai”.

Mais um capítulo desse revival de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, completa-se nesta quinta, 8, com a estreia do filme de Andrucha Waddington com Stepan Nercessian. A dupla que fez Chacrinha no palco não está transpondo o musical para o cinema. O filme, proposto ao diretor pelos produtores, é mais sobre o Chacrinha dos bastidores. Como ele criou seu personagem, levou-o para a televisão, peitou a censura, foi chutado da Globo e voltou triunfalmente. De cara, Andrucha disse que não queria nem iria fazer um filme chapa-branca. Mas há quem, na crítica, o acuse de haver amaciado com a emissora. “Imagina, o Chacrinha diz que ali tem mais cacique que índio. E o filme é sobre relações, incluindo a dele com o Boni (o lendário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), que era de amor e ódio.”

Chacrinha teve um affair com Clara Nunes? A sugestão é mais que evidente, mas Andrucha nunca os mostra na cama. E o reencontro, depois que ela já ficou famosa, é lindo. A Clara Nunes da ficção elogia a dedicação da mulher de Chacrinha na vida, e Carla Ribas, que faz o papel, é tão magnífica quanto Stepan. Como um cara feio, brega virou o maior ícone brasileiro do século 20 (segundo Andrucha)? Talvez porque Chacrinha, o homem, a lenda, fosse impossível de enquadrar. Tinha aquela família disfuncional. Tudo conspirava contra. Ele virou o jogo. O filme é sobre amores. Termina onde começa o musical. Você vai amar. / LUIZ CARLOS MERTEN

ROMANCE

O amor eterno enquanto dure, feito canções 

Todas as canções de amor (Brasil / 2018, 90 min.)Dir. de Joana Mariani, com Marina Ruy Barbosa, Bruno Gagliasso, Luíza Mariani

Vencedor do prêmio da crítica como melhor filme brasileiro da recente Mostra de Cinema de São Paulo, Todas as Canções de amor, longa da diretora Joana Mariani, foi escrito por ela para sua prima, Luiza Mariani. Na ficção concebida por Joana, Luiza grava a fita cassete com as canções de amor do título, como uma carta para o companheiro. Júlio Andrade é o ator, e a química entre ambos é muito forte.

Essa relação está acabando, na verdade, acabou, porque a fita foi gravada lá atrás e agora é encontrada por Marina Ruy Barbosa na casa – o apartamento – que vem ocupar com Bruno Gagliasso. A dupla é a mesma da novela O Sétimo Guardião, que estreia na segunda, 12, na Globo. Marina faz uma aspirante a escritora. O apartamento é compartilhado pelo casal e pelas caixas, que ainda não foram desempacotadas. A dupla jovem tem seus desentendimentos. Quanto tempo vai durar o amor?

É um filme elegante, muito bem escrito, realizado e interpretado. Tem diálogos ótimos. A trilha de Maria Gadú é o que há de bom. De certa forma, é o Eu Te Amo do século 21. E Luiza, envolta na fumaça do cigarro – ela recém havia deixado de fumar – possui uma aura./ L.C.M.

AÇÃO

Fusão de gêneros, com o toque de J. J. Abrams

Operação Overlord (EUA/ 2018, 110 min.)Dir. de Julius Avery, com Wyatt Russell, Jovan Adepo, Pilou Asbæk

Jeffrey Jacob Abrams se tornou conhecido como J. J. Na TV, fez história com Lost. No cinema, reinventou as séries Missão Impossível, Star Trek e Star Wars. Claro que a seguinte será uma afirmação controversa, mas seu melhor filme é Super 8, que mistura gêneros de uma forma muito interessante. Um drama intimista. Um garoto que perdeu a mãe realiza um filme amador com os amigos e descobre um monstro do espaço, carente como ele. Ajudam-se mutuamente.

De todos os filmes de J. J., Operação Overlord é o que mais se assemelha a Super 8. O diretor creditado é Julius Avery, mas o filme tem a marca do produtor. Outra mistura de gêneros. Um filme de guerra, que vira fantasia científica e... Terror? Um pelotão americano, ou o que sobrou dele, chega a uma cidadezinha francesa. Nas proximidades, há um castelo que também é laboratório, onde os nazistas realizam experimentos para criar soldados indestrutíveis. Criam uma raça de zumbis. Ah, sim, também é uma história de amor. De certa forma, é Bastardos Inglórios mais louco. Cuidado com as palavras. O garoto protagonista, um jovem negro, é tudo menos bastardo. / L.C.M.

DRAMA

‘Museu’, inventiva ficção baseada em um furto real

Museu (México/2018, 128 min.)Dir. de Alonso Ruizpalacios, com Gael García Bernal, Leonardo Ortizgris

Museu, de Alonso Ruizpalacios, baseia-se num fato real. Na noite de Natal de 1985, dois amigos, jovens estudantes de classe média, invadem o Museu de Antropologia da Cidade do México, e roubam 140 peças da coleção de cultura Maya. O filme é prova de que se pode fazer uma obra de gênero e ir muito além dos seus limites. Aliás, Ruizpalacios, autor do também ótimo Güeros, desconhece fronteiras. Trata essa história de furto como ponto de partida para reflexões sobre a cultura local e a rapina dos conquistadores, as ilusões humanas, as versões que substituem uma verdade impalpável, além de discorrer com fluência sobre a arte da narrativa. Cheia de ritmo, a aventura tem no elenco Gael García Bernal como Juan, e Leonardo Ortizgris como seu parceiro, Benjamin. A cultura mexicana, riquíssima, vertiginosa e cheia de mistérios, funciona não apenas como pano de fundo da trama, mas como personagem integrante e, talvez, protagonista de uma história que lembra os enredos mirabolantes do escritor Roberto Bolaño, chileno, porém mexicano de adoção. / Luiz Zanin Oricchio 

DOCUMENTÁRIO

O homem que nunca desistiu de sonhar

Moacir – O santista que conquistou os argentinos (Argentina, 2017, 94 min.)Dir. de Tomás Lipgot

Realidade e imaginação se misturam no longa sobre o santista Moacir dos Santos, que foi para a Argentina sonhando ser cantor e virou interno numa instituição psiquiátrica. O diretor Tomás Lipgot resgata sua história num filme que passou por diversos festivais, incluindo o In-Edit e Bafici. / L.C.M.

DRAMA

Urso de Prata para o sofrido ‘A Prece’

A Prece (França / 2018, 107 min.)Dir. de Cédric Kahn, com Anthony Bajon, Damien Chapelle

Vencedor do Urso de Prata no recente Festival de Berlim, o longa do francês Kahn conta a história de jovem viciado em drogas que vai viver numa comunidade que prega a oração como superação. Ele leva uma vida dura, conhece o amor, mas também um outro tipo de tormento. Bem forte. / L.C.M.

THIRLLER

‘A garota na névoa’ e o mistério dos Alpes

A garota na névoa (Itália / 2017, 128 min.)Dir. Donato Carrisi, com Toni Servillo, Alessio Boni, Lorenzo Richelmy

O detetive Vogel (Toni Servillo) investiga o desaparecimento de uma garota numa cidadezinha dos Alpes italianos. Dirigido por Donato Carrisi, o thriller tem qualidades. Sofre com a excessiva elaboração do roteiro e as sucessivas reviravoltas, que lhe dão ar de artificialidade. / L.Z.O.

SUSPENSE

‘A garota na teia de aranha’ é apenas ação

Millennium – A garota na teia de aranha (EUA/2018, 112 min.)Dir. de Fede Alvarez, com Claire Foy 

Claire Foy faz a personagem Lisbeth Salander, hacker, lésbica e lutadora da pesada da série criada pelo escritor sueco Stig Larsson. Desta feita, trata-se de recuperar um software que controla o arsenal nuclear e pode acabar em mãos erradas. Muita ação e poucas ideias de fundo. / L.Z.O.

DOCUMENTÁRIO

‘Carvana’, um tributo ao ator e cineasta

Carvana (Brasil, 2018, 104 min.)Dir. de Lulu Corrêa 

Em Carvana, de Lulu Corrêa, o querido ator e diretor do Cinema Novo conta, ele próprio, sua vida movimentada. Ator de clássicos como Os Fuzis e Câncer, diretor e ator de comédias como Vai Trabalhar Vagabundo e Bar Esperança, Hugo Carvana é uma referência em nossa cinematografia. / L.Z.O.

DOCUMENTÁRIO

‘A tecnologia social’ discute a sexualidade

A tecnologia social (Brasil / 2018, 83 min.)Dir. de Patricia Innocenti 

Nathalie Siqueira desenvolve um aplicativo sobre educação sexual e prevenção de doenças. A Tecnologia Social, de Patricia Innocenti, acompanha a viagem de Nathalie à África do Sul, onde ela terá oportunidade experimentar a vida prática ao conhecer uma sul-africana que viralizou ao se assumir soropositiva.

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