Cerimônia do Oscar volta para Hollywood

Em sua 74ª cerimônia neste domingo, o Oscar volta à sua antiga casa. Não que o recém-inaugurado Kodak Theater, que dispõe de todas as facilidades para a produção do evento e a transmissão ao vivo para uma série de cadeias de TV, tenha nascido antigo. Este ano, a festa anual do mundo do cinema americano volta ao seu doce lar: o Hollywood Boulevard. A avenida foi sede de todas as cerimônias do Oscar até 1961, no Chinese Auditorium até 1948 e no RKO Pantages até 1960. A entrega das estatuetas de 61 aconteceu no Civic Auditorium, em Los Angeles. E mudou de lugar mais duas vezes, para o Doroty Chandler Pavilion e depois para o Los Angeles Shrine Audiorium.A Hollywood Boulevard, que ficara marcada por sediar a consagração de gêneros cinematográficos como o musical e o noir, além da carreira de ícones da história do cinema como Clark Gable e Elizabeth Taylor, ficou esquecida a partir dos anos 60 e entrou em decadência. A avenida cujo nome se confunde com o próprio cinema entrou na contramão do brilho quando foi ocupada por hippies, traficantes de drogas e prostitutas nos anos 70. Ao mesmo tempo que o Hollywood Boulevard dava sinais de que sua vitalidade urbana decaía, a saída do Oscar para outros lugares da Califórnia contribuía para que o local não fosse reerguido. O último sinal dos tempos de ouro do Oscar era a Calçada da Fama, com as celebridades do cinema marcadas por estrelas douradas ao longo de 11 quarteirões. Agora, a Academia parece ter acordado para o fato de que a rua é patrimônio do cinema americano e vai levar a cerimônia de volta para lá. O Kodak Theater é o primeiro palco permanente da Academia. Espera-se, portanto, que a partir de 2002 todas as cerimônias da entrega do Oscar ocorram nele, afinal o auditório custou US$ 94 milhões e pode receber qualquer tipo de produção de teatro, shows e premiações ao vivo pela TV. Parece lógico? Talvez, pois se nos auditórios anteriores cabiam em torno de 5.600 pessoas, o Kodax Theater tem capacidade para 3.100. Quem vai ficar de fora?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.