Cenário internacional afeta Festival de Veneza

Este festival tem sido marcado pela brutalidade política. Primeiro, foi a tragédia de Beslan, logo no início da mostra. Agora, o seqüestro das duas italianas, Simona Torreta e Simona Pari, que trabalham em uma ONG humanitária em Bagdá, faz com que muitos já pensem que a Itália está ameaçada em seu próprio território pelo terrorismo. Houve ontem uma movimentação de jornalistas e artistas para que o festival fosse suspenso, mas a idéia não prosperou. Tudo limitou-se a um comunicado, assinado pelo diretor da Biennale, Davide Croff, para que as moças fossem liberadas em boa saúde e o mais rápido possível. O curioso, se este for o termo certo, é que hoje, fora de concurso, está programado o filme No Curdistão é Difícil, produzido pela mesma ONG onde trabalham as duas Simonas. Assim a mostra prossegue. E continua bem, apesar de tudo. Dois dos concorrentes mais esperados, Le Chiavi di Casa (As Chaves de Casa) e Land of Plenty (Terra da Abundância) foram bastante aplaudidos. O tema de As Chaves de Casa, de Gianni Amelio é árduo. Kim Rossi Stuart faz Gianni, pai de um adolescente excepcional que ele praticamente não conhece, pois o abandonara ao nascer. Leva-o a uma clínica em Berlim, onde, além do tratamento, tem a sorte de conhecer uma francesa, vivida por Charlotte Rampling, que também acompanha a filha. O filme fala desse encontro problemático entre pai e filho, e o destaque é o garoto Andrea Rossi, que vive o menino, Paolo. A canção principal do filme é brasileira: Deus do Fogo e da Justiça, cantada por Virgínia Rodrigues. A maneira como Amelio conduz essa história (inspirada no livro Nati due Volte, fez do filme o queridinho da torcida local. Wim Wenders também não decepcionou com seu Land of Plenty, fábula reflexiva sobre os Estados Unidos pós-11 de setembro. Ele opõe dois personagens. De um lado, um veterano do Vietnã que teve sua paranóia patriótica reavivada depois do atentado da Al-Qaeda em Nova York. De outro, uma jovem americana, que volta para o país depois de anos de ausência e dedica-se a uma instituição para os sem-teto em Los Angeles. Hoje acontece o maior, ou pelo menos o mais pirotécnico dos eventos paralelos do festival: a exibição, em première mundial, do desenho animado da DreamWorks, Shark Tale, na histórica Praça São Marcos, coração de Veneza.

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