DC Comics
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CCXP: 'Hoje há menos foco no seu gênero e mais em bons trabalhos', diz Joelle Jones

Primeira mulher a assumir a série principal do Batman vem ao Brasil para ministrar oficina de roteiro e arte na CCXP

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 06h00

A artista Joelle Jones tem apenas 39 anos, mas já deixou uma importante marca no mundo dos quadrinhos: em 2018, tornou-se a primeira mulher a desenhar duas edições seguidas da série principal do Batman. Esse feito demonstra sua relevância dentro da DC Comics, mas também é uma evidência óbvia da disparidade de gêneros na indústria do entretenimento.

“Eu sinto que as coisas estão lentamente começando a se equilibrar”, analisa Jones, que é uma das atrações internacionais da 6ª edição da CCXP, em entrevista ao Estado. “Hoje á menos foco no seu gênero e mais foco em bons trabalhos. Se você for boa e consegue cumprir prazos, independente do seu gênero, você vai se dar bem”, acrescenta ela.

Nascida nos Estados Unidos, Jones é uma das quadrinistas que vieram para o Brasil esta semana falar sobre Batman em um painel da CCXP em homenagem aos 80 anos do personagem. O bate-papo terá duas edições: hoje, 5, e no sábado, 7. 

Além de Jones, quadrinistas consagrados como Neal Adams (que revitalizou o Batman nos anos 1970 em parceria com o roteirista Dennis O’Neil), Mikel Janin (artista espanhol que migrou do terreno independente para as HQs de super-heróis e foi recentemente um dos responsáveis pelo sucesso do premiado arco do Homem-Morcego escrito por Tom King), Frank Quitely (que recriou a dinâmica entre Batman e Robin dez anos atrás em parceria com Grant Morrison) e Frank Miller (autor de O Cavaleiro das Trevas, uma das obras fundamentais do personagem).

Atualmente responsável pela Mulher-Gato na DC, Joelle Jones despontou no mundo dos quadrinhos com uma série original publicada pela Dark Horse e intitulada Lady Killer. Na obra, a expressão, comumente usada para se referir a homens galanteadores, é subvertida, assim como o estereótipo da mulher submissa. A HQ narra a história de Josie, uma dona de casa dos anos 1960 que secretamente é uma matadora de aluguel.

“Josie parece ser a dona de casa perfeita na superfície, mas ela é muito mais do que isso. Com a Mulher-Gato ocorre exatamente o mesmo. Contradição e subversão de expectativas são conceitos realmente interessantes para mim”, afirma a artista. Confira a íntegra da entrevista dela ao Estado:

Como seus estudos em pintura influenciaram sua arte nos quadrinhos?

Acho que é tudo sobre composição. Não importa o que você está fazendo. E a pintura me deu uma abordagem bastante pragmática para atacar uma obra. Criar algo que contenha profundidade e camadas.

Quais são as principais diferenças entre trabalhar com uma personagem que você criou, como em Lady Killer, e uma que já existe, como a Mulher-Gato?

A alegria de trabalhar com a Mulher-Gato é que essencialmente alguém está me deixando brincar com seus brinquedos, a DC no caso. Eu amava a Selina e sempre senti que poderia contar uma história muito interessante se tivesse a chance. Mas trabalhar com uma personagem que tem uma história tão rica também vem com muita responsabilidade. Você não pode simplesmente fazer o que bem entender. Você tem que ser respeitosa com aquela história, deixando sua própria marca na personagem e então a deixando em uma boa posição para o próximo artista. Você basicamente tem a custódia da personagem. É muito divertido trabalhar em algo que tem determinados perímetros, te obriga a ser criativa. Com Lady Killer, não há parâmetro exceto os que eu defini. Isso é bom e ruim. Eu amo criar um mundo completamente meu e poder ditar as regras para a personagem. O céu é o limite. Mas quando você tem esse nível de liberdade, você realmente deve se policiar para não perder o controle. Eu amo trabalhar com ambas, mas são animais bem diferentes.

 

Como a primeira mulher a trabalhar em edições subsequentes na série principal do Batman, como você vê a luta por igualdade de gênero na indústria dos quadrinhos?

Eu sinto que as coisas estão lentamente começando a se equilibrar. Hoje há menos foco no seu gênero e mais foco em bons trabalhos. Se você for boa e consegue cumprir prazos, independente do seu gênero, você vai se dar bem.

Em Lady Killer, você subverte o estereótipo de dona de casa. Como você encara as convenções dos quadrinhos de heróis de uma perspectiva feminina?

Bem, personagens que são interessantes para mim são complicadas. Pessoas que me interessam também. Algo que parece uma coisa na superfície, mas é completamente diferente nas profundezas. Josie parece ser a dona de casa perfeita na superfície, mas ela é muito mais do que isso. Com a Mulher-Gato ocorre exatamente o mesmo. Contradição e subversão de expectativas são conceitos realmente interessantes para mim.

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