CCSP inaugura sistema de som com ciclo especial

A partir de hoje, a Sala Lima Barreto, do Centro Cultural São Paulo, começa a operar com um moderníssimo sistema de som Dolby, oferta da rede Cinemark, que investiu R$ 140 mil da renda arrecadada no último dia 5 de novembro, o Dia do Cinema Brasileiro, na modernização da aparelhagem de som da sala. Para testar o novo Dolby do Centro Cultural São Paulo, começa um ciclo sugestivamente chamado de Sound Design, Projeto de Som, com curadoria do professor do curso superior do Audiovisual da ECA/USP, Eduardo Souza Mendes.Ele selecionou filmes que mapeiam a utilização do som no cinema, desde o primeiro longa sonoro de Fritz Lang, M, o Vampiro de Dusseldorf, de 1931, até títulos recentes como Matrix Reloaded, dos irmãos Andy e Larry Wachowski, de 2003. Muito barulho passou pela tela nestes 72 anos. O professor Souza Mendes discute a evolução numa palestra que será dada hoje. No sábado, realiza um workshop que inclui palestra de outro especialista, o graduado em cinema pela ECA/USP Luiz Adelmo Manzano, cuja atividade como técnico de som já foi testada em filmes como Os Xeretas, de Michael Ruman, e Anahy de Las Missiones, de Sérgio Silva. Durante muito tempo, o cinema brasileiro carregou o estigma de ter problemas de som. O público reclamava que não ouvia o que as pessoas diziam em filmes brasileiros. Os diretores e produtores explicavam que o problema era das salas e que atingia também a produção estrangeira, o que a média do público não percebia porque estava concentrada na leitura das legendas. Por mais que o cinemão de Hollywood apresente um desenvolvimento tecnológico superior ao do cinema brasileiro, ninguém mais reclama do som nos filmes brasileiros, desde que a totalidade das salas foi equipada com o sistema Dolby.A programação começa hoje com Matrix Reloaded e prossegue com M, uma história que não poderia ser contada sem a tecnologia de reprodução sincrônica do som. O Brasil está bem representado - por filmes como Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky; Madame Satã, de Karim Ainouz; Céu de Estrelas, de Tata Amaral; Narradores de Javé, de Eliane Caffé; O Invasor, de Beto Brant; Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho; e Nelson Freire, de João Moreira Salles. Para encerrar a mostra, foi escolhido o filme que, segundo o professor Santos Mendes, iniciou grande parte das propostas de uso diferenciado da trilha sonora - Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola.Mostra Sound Design: Projeto Som - Centro Cultural São Paulo - Sala Lima Barreto (110 lug.). Rua Vergueiro 1.000, Paraíso, 3277-3611. Terça a domingo. Grátis - retirar ingressos com uma hora de antecedência. Até 19/12

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