CCSP exibe relíquias do cinema latino

Você não precisa ser o IndianaJones da cinefilia para interessar-se pela mostra que começaamanhã no Centro Cultural São Paulo. Mas ajuda um poucointeressar-se pelas relíquias do cinema latino-americano. Amostra Memória Compartilhada traz a São Paulo verdadeirasraridades dos anos 1910 a 70. São 14 filmes de paísesibero-americanos, restaurados com apoio da Agência Espanhola deCooperação Internacional em 1999, quando se realizou o 55.ºCongresso da Federação Internacional de Arquivos Fílmicos.Cada vez mais realizam-se no mundo todo - e o Brasil nãoestá fora dessa - encontros para debater a preservação e arestauração de filmes. Os especialistas ensinam que o importanteé conservar, para não ter de restaurar, um trabalho muito maisdelicado (e caro). Entre as raridades a serem exibidas na SalaLima Barreto, do CCSP, estão desde um filme mexicano de 1919,sobre o enterro do revolucionário Emiliano Zapata, até OSegredo do Corcunda, uma produção brasileira de 1924; Perdi MiCorazón en Lima, melodrama peruano de 1933; e um cinejornalcubano de 1959, com as imagens de Havana em plena revolução.Os países ibero-americanos representados no cicloMemória Compartilhada são: Argentina, Brasil, Colômbia, CostaRica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, México, Peru ePorto Rico. E o curioso é que a programação mescla,indistintamente, documentários e obras de ficção. Desta maneira,será possível resgatar figuras históricas do cinemalatino-americano, como o salvadorenho Baltazar Polio, quedocumentou a perseguição política em seu país, nos anos 1970. Em1992, com a pacificação de El Salvador, surgiu o Museu da Imageme da Palavra, que colocou como prioridade a localização erestauração do material filmado por Polio.Embora pouco conhecido, Alberto Traversa foi um pioneirode dois continentes. Iniciou sua carreira na Itália e filmou naArgentina, antes de se estabelecer no Brasil, onde fez, entreoutros, o média-metragem de 41 minutos O Segredo do Corcunda, uma história de amor e amizade. Outra ficção atraente é PerdiMi Corazón en Lima, de Alberto Santana, sobre garota quepromete ao namorado que virará freira se ele não voltar daguerra na fronteira com a Colômbia. E há também Rayando elSol, de 1945, do mexicano Roberto Gavaldón, a quem se deve ofamosíssimo La Diosa Arrodillada, com Maria Felix. PedroArmendáriz e Domingo Soler interpretam os amigos que brigam pelamesma mulher.A Memória Compartilhada. Terça, às 16h, O Segredo doCorcunda, de Alberto Taversa, e Cuna de Libertades, de LeoAnibal Rubens; terça, às 20 h, domingo, às 16 h, La Gira DelGeneral Ubico a Occidente, do acervo histórico do DepartamentoCinematográfico do Estado da Guatemala, Anales Médicos de CostaRica, de Walter Bolandi, e Perdi Mi Corazón en Lima, deAlberto Santana. De terça a domingo. Grátis - ingressos meiahora antes da sessão. Centro Cultural São Paulo - Sala LimaBarreto. Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo, tel. 3277-3611. Até8/12.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.