CCBB do Rio homenageia o ator e diretor John Cassavetes

Num texto de 1961, no Jornal do Brasil, Glauber Rocha diz que Shadows, de John Cassavetes, representa a essência do cinema de autor. Quase 20 anos mais tarde, Glauber e Cassavetes concorreram em Veneza, em 1980. O júri ignorou A Idade da Terra e dividiu o Leão de Ouro entre Glória, de Cassavetes, e Atlantic City, de Louis Malle. Glauber denunciou a mediocridade do júri, submisso a Hollywood. Quis agredir Malle.Há um enigma Cassavetes. Consciente de que a obra autoral do diretor é pouco conhecida no País, Joel Pizzini, cineasta e responsável (com Paloma Rocha) pela restauração da obra de Glauber, assina a curadoria da grande retrospectiva que começa nesta terã-feira no Rio. O Centro Cultural Banco do Brasil de lá vai exibir os 12 filmes que Cassavetes realizou, mais quatro que fez só como ator. Em fevereiro, a programação chega desfalcada a São Paulo, na Cinemateca. Os filmes incluem os cinco que o Grupo Estação adquiriu da distribuidora portuguesa Atalante (e vai lançar em 2007) - Shadows, Faces, A Woman under Influence, The Killing of a Chinese Bookie e Opening Night. Serão realizados dois debates, o primeiro nesta terça, com participação de Paulo César Saraceni e Helena Ignez; o próximo, dia 9.O que Cassavetes ainda tem a nos dizer? Ator de clássicos hollywoodianos como Os Doze Condenados, de Robert Aldrich, e O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, Cassavetes construiu sua grande obra de autor na produção independente, à margem do cinemão. Seus filmes tratam dos problemas do casal, valorizam o ator, a sua capacidade de improvisação. Domingos Oliveira diz que o método Cassavetes de alguma forma antecipa o seu manifesto BOAA, em defesa do filme de baixo orçamento e alto-astral.

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