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Caverna.club: Rainha do tchibum aos 100

Antes de se tornar a sereia de Hollywood, Esther Williams batera o recorde mundial dos 100 metros livres feminino

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 03h00

Fim da Olimpíada de Tóquio, uma quase atleta olímpica passava o centenário em águas ocultas. Esther Williams bateu cenzinho domingo, 8, ainda que não estivesse na área para comemorar. Cantara para subir em 2013. Antes de se tornar a sereia de Hollywood, batera o recorde mundial dos 100 metros livres feminino, um azougue. Escalada para a Olimpíada de Helsinque, na Finlândia, perdeu a chance. Evento cancelado em 1940 diante da escalada do nazismo.

A frustrada Esther Williams mal teve tempo para chafurdar em águas pútridas. Trabalhava em uma loja de departamentos, na sua Los Angeles do coração, quando foi descoberta por um empresário do showbiz e seu 1,74 m arrastado impiedosamente para um show aquático. Dali para os estúdios de filmagem ninguém mais segurou. 

Um pitéu, essa Esther, pernas inesquecíveis, sorriso largo. O que mais a MGM precisaria? Veio a estreia ao lado de Mickey Rooney, em A Dupla Vida de Andy Hardy, 1942, mas o sucesso chegou somente quando deu seu duplo carpado com mortal indelével e caiu nas águas das piscinas construídas pela Metro especialmente para ela. Claro, era preciso também o nado da sereia acompanhado de piruetas rocambolescas, saltos ornamentais de torcer o pescoço do vivente espectador. Sucessos como A Bela Ditadora, Dois no Céu, Ziegfeld Follies, A Favorita de Júpiter, A Escola de Sereias, Salve a Campeã. Não escondia de ninguém, seu preferido era A Rainha do Mar. A autobiografia está aí para provar (amzn.to/37xE74a).

 

Triplo mortal para trás

Da garota que trocava os cinco centavos de dólar de entrada na piscina do clube pelo trabalho de recolher toalhas usadas e ter aulas com os salva-vidas, passaram-se décadas. No livro conta que teria nadado, segundo seus cálculos, 1.600 quilômetros em 26 filmes. Não tinha lá muito talento para a atuação, embora o encanto pessoal resolvesse bem algumas cenas. Mas era empresária nata. Licenciou seu nome para materiais aquáticos, empresa de piscinas e lançou vídeos com aulas de natação para crianças. Teve quatro casamentos. Um deles acabou depois de pegar o então marido travestido, usando sapatos Gucci. Não era um acaso. Dois filhos, uma filha e dezenas de filmes depois, Esther Williams morreu. Morreu, mas passa bem.

  

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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